A primeira impressão que se tem de ‘‘O Último Solo’’ não é das melhores já que esse negócio de homenagem póstuma sempre deixa um forte cheiro de oportunismo. E há. Realmente há. Ora, gravadora nunca foi uma casa de filantropia. Entretanto, ouvindo atentamente ao disco é possível encontrar sinceridade e coerência em função dos arranjos de Carlos Trilha e da emoção visceral que Renato destila em algumas das oito faixas. ‘‘Ti Chiedo Onesta’’, é um desses casos. Trata-se de uma daquelas baladonas italianas que, se incluída da maneira agora apresentada, tiraria um pouco a carga sonolenta que permeia ‘‘Equilíbrio Distante’.
Outra versão comovente é ‘‘I Loves You Porgy’’ em que Renato canta acompanhado apenas pelo piano de Carlos Trilha. Frouxidões há. E como. A banal ‘‘Lettera’’ é a melhor representante da categoria ‘‘baladinhas frouxas’’. ‘‘The Dance’’, mesmo com cordas, não deixa de exalar um quê de cafonice em função do manjado ‘‘tec, tec’’ concedido pela bateria.
Em ‘‘Change Partners’’, de Irving Berling, o arranjo usa e abusa de uma fórmula já usada anteriormente para deixar bem claro que os clássicos nunca morrem. Trechos da música foram mixados de forma a dar impressão de que está se ouvindo um gramofone com direito a chiado e tudo o mais. Hum!! Vale pela curiosidade.
‘‘Último Solo’’ é um disco de sobras? É. É uma espécie de colcha de retalhos? Sim. Mas fazer o quê... Com certeza, se estivesse vivo, Renato não permitiria essa salada ítalo-americana. Faria algo mais ousado. Talvez até cantasse em etrusco. Mas as sobras foram bem trabalhadas. E de mais a mais é sempre prazeroso ouvir Renato Russo cantando - e bem - mesmo que uns e outros totens da MPB digam o contrário. (A.M.J).

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