São Paulo, 05 (AE) - Inauguração, abandono, restauração, reinauguração. Desde sua construção em estilo art nouveau, em 1917, o Teatro São Pedro já passou várias vezes por esse ciclo, sina de muitas casas teatrais brasileiras. Em 1968, o jornal "O Estado de S.Paulo" noticiava a reabertura do São Pedro - arrendado pelo casal Maurício e Beatriz Segall - após um longo período de decadência. Em 1998, portanto 20 anos depois, outra reabertura era anunciada, após 12 anos de portas fechadas para reformas que custaram cerca de R$ 10 milhões.
Uma companhia lírica italiana abriu o Teatro São Pedro, em 1917. A Orquestra Sinfônica do Estado apresentou-se na reabertura há dois anos. Mas só a partir de amanhã (06) o teatro
que já abrigou ótimas montagens de peças como "Morte e Vida Severina", "àpera do Malandro" e "Macunaíma", volta a receber um espetáculo teatral. "Disco Solar", texto de Ana Vitória Vieira Monteiro que tem como tema o extermínio do império inca, estréia amanhã no Teatro São Pedro, com direção de Marcelo Drummond, um dos principais atores do teatro dirigido por José Celso Martinez Corrêa, o protagonista da mais recente montagem do Oficina, "Boca de Ouro", de Nélson Rodrigues.
Leona Cavalli e Fransérgio Araújo lideram o elenco integrado por cinco atores que vão utilizar também o espaço da platéia do imenso teatro, além de recursos como projeção de vídeo num telão. Mas quem quiser ver o efeito do espetáculo no palco de 10 metros de largura por 7 de profundidade, sem contar o proscênio de 4 metros, deve apressar-se. "Disco Solar" faz apenas quatro apresentações no Teatro São Pedro, até domingo, antes de iniciar temporada, no dia 28, no Teatro Oficina.
"O espetáculo é em parte um filho do Oficina", diz Drummond, que faz sua segunda experiência como diretor. Mas se falta experiência na direção sobra cumplicidade com o elenco. Ele e Leona Cavalli atuaram juntos, sob direção de Zé Celso, em cinco espetáculos, entre eles "Cacilda!" e "As Bacantes". E ambos já atuaram no Oficina com os outros atores do elenco, Fransérgio Araújo, Eucir de Souza e Franklin Albuquerque.
Mas que ninguém espere um celebração dionisíaca. "Não tenho a experiência do Zé e por isso procurei trabalhar basicamente o jogo entre os atores e manter o máximo de fidelidade ao texto", diz Drummond. O convite para a direção partiu de Leona Cavalli, também produtora do espetáculo, que alimenta o sonho de levar essa história ao palco desde 1997. "Num festival de teatro europeu assisti a um vídeo sobre a história do incas e fiquei fascinada", ressalta.
No Brasil, encontrou a autora que pesquisava sobre o tema e criou o texto especialmente para a atriz, uma ficção baseada em fatos reais. "A gente sabe mais da mitologia grega e desconhece mitos muito mais próximos, como essa tragédia latino-americana que foi o extermínio dos incas", afirma Leona.
"O ideal seria montar um épico com uma grande produção", ressalta Drummond. Como não é o caso, a história é contada do ponto de vista de cinco personagens, o imperador (Fransérgio), a imperatriz Rumi (Leona), dois sacerdotes e um mensageiro que estão no Templo do Sol na noite da queda do império. "O texto é muito bonito porque enfoca a história do ponto de vista humano", diz Leona. "Nessa situação-limite, há quem traia, quem morra e quem consiga fugir para preservar a memória, como é o caso de Rumi", afirma Marcelo Drummond. (B.N.) Serviço - "Disco Solar". De Ana Vitória Vieira Monteiro. Direção de Marcelo Drummond. Duração: 1h30. De quinta a sábado, às 21 horas; domingo, às 18 horas. R$ 15,00. Teatro São Pedro. Rua Barra Funda, 171, tel. 3667-0499. Até 9/4

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