Disco reúne 7 mestres do samba
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quinta-feira, 12 de outubro de 2006
Folhapress 
O lançamento comercial do CD Aquarela do Samba começa a tirar da gaveta um projeto precioso, iniciado há três anos. Foi em 2003 que, para gravar um disco-brinde para uma empresa, reuniram-se sete grandes nomes do samba.
Além de cantar, eles registraram depoimentos em vídeo - ainda sem previsão de lançamento - e deram entrevistas para um livro que também está saindo agora. O Samba É Meu Dom (título retirado do samba de Wilson Neves e Paulo César Pinheiro) reúne perfis dos sete compositores escritos por Andréa Ribeiro Alves e fotos feitas por Silvana Marques.
O que é valioso no projeto é o esforço em conectar passado e presente. No CD, cada um ficou com duas faixas: uma para gravar um samba antigo, outra para registrar um inédito. O único que não gravou uma nova foi o Xangô, até para reforçar as características do partido-alto, em que se improvisa a partir de um verso conhecido, explica Paulo César Figueiredo, diretor artístico do projeto, que teve direção musical de Paulão 7 Cordas e produção da Sarau.
Xangô da Mangueira abre o CD com Quando Vim de Minas e volta depois com Moro na Roça. Sua voz tem o peso do tempo, no que isso tem de bom e de ruim. Ele representa os improvisadores, o samba que remete às suas origens africanas.
Wilson Moreira, criado na zona rural do Rio, também mora na roça quando compõe, conhecedor dos jongos e caxambus. Mas o lado que aparece no CD é o mais romântico, em que também é craque: Quintal do Céu, parceria com Jorge Aragão gravada por Zeca Pagodinho, e a inédita Amor Vadio.
Walter Alfaiate relembra A.M.O.R. Amor, uma de suas composições mais conhecidas, feita com o amigo Mauro Duarte e gravada por Paulinho da Viola, ambos crias de Botafogo como Walter. E mostra sua voz grave e seu tom crítico em O Mundo Já se Acabou.
Filósofo popular, o mangueirense Nelson Sargento une humor e melancolia em De Boteco em Boteco e dor e ternura na inédita O Destino Não é Restaurador. Esse também é o caminho de Dona Ivone Lara e Monarco. A grande dama regrava Liberdade (letra de Delcio Carvalho) e apresenta Escravo da Dor (letra de Bruno Castro), ambas muito bonitas e contando com a voz de Dona Ivone ainda em perfeito estado.
Já o líder da Velha Guarda da Portela, um dos maiores intérpretes brasileiros, mostra Foi uma Noite Linda e quebra um tabu ao gravar Jardim da Solidão, lançada por Clara Nunes - a história dessa música é tão pessoal que ele não se sentia à vontade para cantá-la. O caçula do grupo é Luiz Carlos da Vila, que exibe todo o seu talento na metalingüística Pra Fazer um Samba Novo e encerra com o disco com O Show Tem que Continuar. É o que esse projeto diz: o passado deve ser cultuado com os pés no presente, senão é só nostalgia.
Serviço:
- 'Aquarela do Samba', Dona Ivone Lara, Monarco e outros. Gravadora: Deckdisc. R$ 28, em média


