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Londrina

Folha 2

m de leitura Atualizado em 02/08/2022, 00:52

Disco 'Macramê' costura sons e silêncios

André Siqueira e Natália Lepri lançam, pela gravadora Kuarup, disco com obras de diversos autores, arranjos inéditos e melodias

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de agosto de 2022

Ranulfo Pedreiro/ Especial para a Folha
AUTOR autor do artigo

Foto: Samara Garcia/ Divulgação
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A coisa começou despretensiosa, com um convite da cantora Natália Lepri para o compositor e multi-instrumentista André Siqueira trabalharem juntos. O repertório estava indefinido e os dois não sabiam ao certo para onde os ensaios os levariam.

Mas logo o negócio tomou prumo e foi ficando sério. As possibilidades de unir voz e violão (além flauta transversal, violão barítono e viola) ganharam a liberdade do contraponto e foram costuradas no disco Macramê, que acaba de sair nas plataformas

de streaming pela gravadora Kuarup. Para completar, o percussionista André Vercelino jogou seu tempero em duas faixas. 

Ser abrigado pela Kuarup mostra a qualidade do lançamento. A gravadora, histórica, tem em seu catálogo obras de Cartola, Baden Powell, Sivuca e Raphael Rabello, para citar apenas alguns. A confecção artesã de "Macramê" é sua maior qualidade, uma vez que o diálogo entre André e Natália precisava ser gravado ao vivo para manter o frescor e a originalidade. 

O repertório, fechado em cima de autores como Hekel Tavares, Guinga, Raphael Rabello, Egberto Gismonti, Waldemar Henrique, Fernando Brant, Tavinho Moura, Aldir Blanc, Nelson Ayres, Paulo César Pinheiro e o próprio André Siqueira, traz arranjos inéditos. Se a canção, por si, é um formato tradicionalmente fechado, os arranjos encontraram escapes, valorizaram o silêncio e o instrumental tornou-se tão importante quanto a voz. 

Claro, nada disso seria possível se não houvesse cumplicidade. Com boa parte das canções em aberto, nenhuma apresentação é igual a outra. Essa maleabilidade precisava ser preservada pela gravação. A saída foi encontrar um bom estúdio, com equipamento de ponta, na FATEC/Tatuí, para gravar como se fosse ao vivo. Deu certo. 

O clima intimista, de costura entre a melodia principal e seu contraponto, cercado de improviso, foi preservado, enriquecendo o disco. Os harmônicos ressoam, o violão aparece impecável, enquanto a voz surge naturalmente bela, acertando cada nota sem esforço. Em algumas canções, o ritmo, tão importante, torna-se fluido, perdendo a rigidez. Muitas vezes, o fraseado contrapontístico faz as vezes da harmonia, valorizando a melodia. Tudo com delicadeza e silêncio. 

“Se a gente gravasse de forma convencional, teríamos que colocar primeiro o André (violões, flauta e viola) e, depois, a voz em cima. Mas aí esse trabalho, que é tão orgânico, tão feito na hora, tão artesanal, iria perder a fluidez. A gente precisava de um

estúdio para gravar ao vivo, para essa troca acontecer. Surgiu a oportunidade de gravarmos em Tatuí/SP, na FATEC, é um estúdio-escola do curso de produção  musical, uma sala incrível, com equipamentos incríveis, que eternizaram isso do jeito que a gente queria”, destaca Natália Lepri.

Muitos detalhes foram surgindo naturalmente. Ao fundir "Idade da Televisão" com "Sonora Garoa", ambas de Passoca, André divaga pela melodia de "Três Apitos", de Noel Rosa. O próprio Passoca ouviu, surpreendeu-se e reconheceu a influência: a música

de Noel foi realmente a inspiração de "Sonora Garoa", cuja melodia rara é capaz de condensar a melancolia urbana e caipira.

“O disco foi gravado ao vivo em dois dias, em 26 e 27 de julho de 2021. É o registro de uma performance, entramos no estúdio e gravamos. Mas ensaiamos seis ou sete meses antes. Então o disco não tem edição, o que se ouve é de fato a performance de

cabo a rabo”, destaca André Siqueira.

"Macramê" pode ser ouvido nas plataformas digitais (Apple Music, Deezer, Spotify), mas também está à venda pelo e-mail [email protected]

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