A homenagem já estava de bom tamanho no disco de estúdio, lançado no ano passado em tom respeitoso, Ney Matogrosso reverenciava Cartola com um repertório óbvio. Não satisfeito, o cantor volta à cena com um álbum ao vivo o terceiro entre os 28 que gravou na carreira-solo em que novamente rende tributo ao compositor-símbolo da Mangueira. A diferença do trabalho anterior, além das palmas e alguns assovios, é a inclusão de cinco faixas não registradas no trabalho de estúdio. Com exceção da releitura de ''Basta de Clamares Inocência'', faltaram cilindros com oxigênio para um mergulho mais profundo na obra ''desse excepcional compositor'', conforme Ney faz questão de frisar nas poucas palavras que dirige ao público.
O show também transformou-se em DVD. Mas não esperem maiores lampejos cênicos porque, a tomar pelo disco, as performances devem ser tão contidas quanto a interpretação das canções. ''Cartola Ao Vivo'' foi gravado em novembro de 2002 no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis (SC). Para acompanhá-lo nesse, digamos, recital, Ney buscou um time competente de músicos encabeçado por Ricardo Silveira, diretor musical e violão 6 cordas, Zé Nogueira (sax), Marcelo Gonçalves (violão 7 cordas), Jorge Helder (contrabaixo acústico e cavaquinho), Celsinho Silva e Zero (percussão).
O show traz na íntegra o repertório do disco de estúdio inclusive a mesma disposição das faixas. Intercalam-se ''novas'' canções como ''Autonomia'', ''Amor Proibido'', ''Não Quero Mais Amar a Ninguém'' e ''Preciso me Encontrar'', esse última de Candeia com quem Cartola mantinha estreitas afinidades musicais.
O público, claro, recebe Ney de braços abertos, embora seja audível, em uma ou outra faixa, falta maior de ânimos. Tudo bem, Cartola merece ser lembrado sempre. O que faltou no disco ao vivo de Ney, foi um repertório menos manjado e pouco mais de molho nos arranjos às vezes arranjos chamados ''enxutos'' acabam descambando para a sisudez.
''Cartola ao Vivo'', por esse ângulo, nada mais é que um projeto burocrático escolhido por Ney Matogrosso para festejar os 30 anos de profissão. Ora, ora, datas redondas, normalmente, são cercadas por formalidades...

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