Jovem artista, Celso Sim adota o saudosismo em ‘‘Primeiro Passo’’, ao aderir incondicionalmente ao movimento tropicalista, hoje balzaquiano.
O disco é calcado principalmente em canções compostas por ele, só, em parceria ou sobre poemas de Fernando Pessoa, Torquato Neto e outros. Apoiado na palavra, o álbum é feito muito de discursividade, menos de musicalidade. Usa sem parcimônia aliterações que muitas vezes namoram o concretismo - ‘‘uva vulva vaga faga fala’’ (em ‘‘Passarinha’’, uma cantada para Gal Costa) ou ‘‘sonâmbula na ambulância’’ (‘‘Alta Tex Populira’’). Tal conjunto de dados resulta num projeto em que pouco cabe de atualização ou diálogo com os anos 90. Daí resulta, portanto, disco de saudosismo, consumado com precisão.
O problema é que toda a conceituação tropicalista, até pela atividade de seus líderes, caminhou rumo ao centro, a ponto de parecer, hoje, molde de fundo ao Brasil neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. É tal proximidade que pode assemelhar Celso Sim a um jovem talentoso envelhecido precocemente. Resta esperar os próximos passos.(P.A.S.)

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