Disco de Mônica Vasconcelos chega ao Brasil
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sábado, 08 de agosto de 1998
Ranulfo Pedreiro 
Mônica Vasconcelos já sabia da diversidade musical do circuito de jazz europeu, quando chegou em Londres disposta a conquistar espaço como cantora. Recém-saída do grupo Beijo, ela surpreendeu os ingleses ao abrir um show de Gilberto Gil.
Aos poucos as brechas foram aparecendo. Mônica Vasconcelos conseguiu formar uma banda e lançar o primeiro disco, produzido de forma independente. A cantora reuniu, no CD, uma banda tão heterogênea quanto o meio jazzístico britânico, assessorada por músicos do calibre do pianista Steve Lodder, que trabalha com o percussionista Naná Vasconcelos.
Da banda também fazem parte a alemã Ingrid Laubrock no saxofone, o inglês Paul Jayasinha no trompete, o brasileiro Ife Tolentino no violão, o italiano Davide Mantovani no baixo, o inglês Paul Nieman no trombone, e os ingleses Simon Morton e Paul Clarvis na bateria e percussão.
Essa mistura de músicos de diferentes países foi ressaltada no álbum, que agora chega ao Brasil pela Eldorado - o disco já foi lançado na Europa, Estados Unidos, Japão e Israel. O resultado traz surpresas em várias faixas. Mônica Vasconcelos aproxima a MPB da pegada jazzística imposta pela banda, ao mesmo tempo em que valoriza a riqueza melódica das composições brasileiras.
Outra surpresa é a capacidade interpretativa da cantora. A voz de Mônica soa com espontaneidade, seu canto dilui o ambiente artificial do estúdio. Os recursos que possui são exibidos conforme as exigências melódicas das composições ou dos improvisos. Com anos de estrada, Mônica Vasconcelos não cai no exagero técnico em vocalises exibicionistas.
O disco, batizado de Nóis, abre com Sabonete do Mato, parceria de Mônica com Steve Lodder. Em seguida vem uma versão interessante de A Terceira Margem do Rio, de Caetano Veloso e Milton Nascimento, que ressalta a voz da cantora entre arranjos apurados.
A terceira faixa aumenta o leque de ritmos brasileiros, com o baião Vestidinho, de Ife Tolentino, Steve Lodder e Mônica Vasconcelos. O sotaque da composição remonta às origens da cantora, filha de nordestinos. O toque brejeiro também aparece em uma segunda versão de Sabonete do Mato, com trejeitos caipiras, que encerra o disco.
Mônica Vasconcelos também mostra personalidade na regravação de Águas de Março, em que novamente o jazz direciona a interpretação num arranjo que vai crescendo com o desenrolar da letra. A escorregada fica por conta do encarte, que não traz todas as letras, além de trocar a de Asa, de Djavan.


