Disco de estréia de Paulinho da Viola é relançado em CD
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quarta-feira, 13 de agosto de 1997
Agência Folha 
Já lançado em CD há alguns anos, Na Madrugada (66), disco que marcou a estréia em disco próprio dos sambistas Elton Medeiros e Paulinho da Viola, recebe finalmente edição digna de sua importância - remasterizada, com capa original e recheada de textos informativos. Em 66, Elton e Paulinho vinham já de participações no projeto Rosa de Ouro e nos grupos Os Cinco Crioulos e A Voz do Morro.
Na Madrugada é confirmação de algo que os trabalhos anteriores já faziam suspeitar: no samba, não há conflito de geração. Nos quintais de Cartola, Nelson Sargento e outros tantos, Paulinho e Elton fizeram escola, e Na Madrugada chegou como trabalho precoce a ser automaticamente inserido na tradição do samba.
Paulinho, em especial, trazia um de seus primeiros clássicos, um samba com maturidade comparável a de um homem muitas décadas mais vivido. Era 14 Anos, em que, tão jovem quanto já nostálgico, Paulinho esboçava conflito geracional manso que desaguava na retidão de caráter inerente ao samba
autêntico: Eu estou necessitado/ mas meu samba encabulado/ eu não vendo, não, senhor.
Parece prodigioso: num disco lançado muito cedo e tomado ainda por convenções que logo depois o tropicalismo converteria em ultrapassadas, mostrava-se já capaz de conceber obra-síntese de toda uma carreira. Isso, entretanto, é só um lance de Na Madrugada. Sob a batuta de Hermínio Bello de Carvalho, o disco é um desfile de parcerias da dupla com Cartola (O Sol Nascerá, Sofreguidão), Candeia (Minhas Madrugadas), Zé Keti (Nascarada, Samba Original), Casquinha (Recado).
Na Madrugada ressurge como marco fundador de uma das correntes cruciais da MPB das últimas três décadas, e por isso a gravadora RGE se faz merecedora de todos os agradecimentos.


