DISCO CELEBRAÇÃO PERCUSSIVA
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de março de 2006
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Pense em nomes que possam ser associados ao movimento de revitalização da música brasileira na última década. Ao lado de Zeca Baleiro, Chico César, Lenine, Moska e Carlinhos Brown só para apontar alguns exemplos, Pedro Luís e a Parede marcou compasso com sua batucada em meados dos anos 90.
O grupo, que subiu ao palco pela primeira vez em 1996, no Rio de Janeiro, sem um nome definido, comemora os dez anos de carreira com o bem-apanhado ''Seleções 1997-2004'', lançado pelo selo MP,B e distribuído pela Universal Music.
A compilação reúne canções do três álbuns do Plap (''Astronauta Tupy'', em 1997; ''É tudo 1 Real'', em 1999 e ''Zona Progresso'', em 2001) e do premiado projeto ''Vagabundo'', lançado em 2004 com Ney Matogrosso parceria que proporcionou maior visibilidade ao grupo e, em contrapartida, deu novo frescor à discografia de Ney.
Provas das boas relações podem ser ouvidas na coletânea, que para Pedro Luís é resultado da proximidade de ''colaboradores e parceiros de idéias há vários anos''. A faixa ''Seres Tupy'' se destaca com a bela interpretação de Ney. Lenine, por sua vez, empresta a voz em ''Quebra Quilos''. O rapper Xis também divide a cena com Plap em ''Nega de Obaluaê''. Ainda no rol de ilustres parcerias, o disco apresenta o músico e compositor emergente Rodrigo Maranhão basta recordar que Maria Rita gravou duas composições dele em ''Segundo'' , cantando junto a Pedro Luís ''Parte Coração'' com ares melancólicos, porém belos. Toda carioquice característica de Fernanda Abreu surge no hit ''Tudo Vale a Pena''. E fechando a sessão, Arícia Mess dá o tom em ''Caio no Suingue''.
Aos ouvidos que ainda não foram atiçados pela rítmica do grupo, ''Seleção 1997-2004'' é uma boa dose de música desprendida de rótulos. A seguir, os principais trechos da entrevista que Pedro Luís concedeu à Folha2.
Que tipo de espaço vocês acreditam que o Plap conquistou no cenário musical brasileiro? E quais metros quadrados vocês ainda pretendem conquistar?
Creio que ocupamos o raríssimo espaço daqueles que desde o começo fazem exatamente a música que gostam e da maneira que escolheram. Dá trabalho, mas a cada fruto que colhemos temos a certeza de ter feito a escolha certa. Acho que pretendemos aumentar o espectro de público, o que de certa maneira já aconteceu no trabalho anterior, 'Vagabundo', nossa parceria com Ney Matogrosso.
Por que a escolha de uma compilação para celebrar esses dez anos de carreira em vez de um disco só de inéditas? Seria como um marco zero para iniciar uma nova fase do grupo?
Não vemos exatamente sob esse prisma. Acho que foi o desejo de mostrar para um público mais numeroso uma síntese do que já havíamos feito nesse últimos anos.
Como se deu a escolha do repertório dessa compilação?
Cada um de nós cinco fez a sua seleção. Pegamos as unanimidades e depois fizemos algumas adaptações consensuais do que achávamos que não podia ficar de fora.
Vocês já estão em turnê? Para esse ano existe a possibilidade de sair do forno um disco de carreira só com inéditas?
Sim, estamos. Desde novembro já fizemos Recife, Vitória, Brasília, Porto (Portugal), São Paulo, Rio e Itaipava. Esse ano com certeza lançaremos um de inéditas e ao vivo.
A composição musical da banda mostra que todos os integrantes do grupo fazem ''batucada''. A batucada diz respeito à harmonia percussiva das músicas?
Essa é uma boa leitura, batucada é uma coisa íntima de quase todo brasileiro. Aqui temos um caso em que ela é estetica e numericamente destacada : são três percussões (Sidon Silva, C.A. Ferrari e Celso Alvim) para duas cordas (eu e Mário Moura)
Além de shows pelo Brasil, vocês atuam em projetos paralelos e turnês internacionais. Aliás, o Plap é bem atuante no Japão. Como foi conquistar esse tipo de público?
O projeto paralelo que realmente tomou um vulto muito maior que imaginávamos é o Monobloco, bloco de carnaval-pop criado a partir das oficinas de percussão que A Parede dá desde 2000. Já estamos com dois discos e um DVD ao vivo e temos uma festa todo ano no pré-carnavalesco que desemboca no desfile pós-carnaval e que é um sucesso no Rio. No Japão na verdade só fomos uma vez em 1998 e foi maravilhoso, pois fizemos uma turnê junto com Myiazawa, artista pop de grande expressão lá. Desde então não voltamos lá mas todos os nossos álbuns, com exceção do ''Vagabundo'', foram lançados lá.
Serviço
- Disco ''Seleções 1997-2004'', de Pedro Luís e a Parede. Lançamento: MP,B com distribuição da Universal Music. Preço médio: R$ 27,00


