DISCO - Voz a serviço da boa música
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de julho de 2004
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Dona de uma voz marcante e afinada, a cantora paulista Isa Taube voltou recentemente a Londrina depois de 20 anos. Ela participou como professora de técnica vocal do 24º Festival de Música de Londrina e na bagagem trouxe um belo disco-solo, homônimo e independente. No trabalho, a artista deixa implícito os anos de estudos líricos, embora no repertório predomine clássicos da MPB.
Isa Taube, 38 anos, começou a tocar na noite ainda adolescente. Na juventude, decidiu cursar música na Unicamp com formação em regência , onde foi aluna do pianista Marcos Leite, fundador do grupo vocal carioca ''Garganta Profunda'' falecido há um ano e meio. Na universidade, foi onde realmente aprendeu técnica vocal e os cuidados com a voz.
''Os leigos ouvem algo que consideram bonito e querem reproduzir sem prestar atenção na própria voz, num tom confortável para cantar. Temos que ter muito cuidado com a tonalidade. Cada voz tem o seu registro. Precisamos sempre conhecer melhor o nosso instrumento vocal'', ressaltou. ''Temos que sentir o que a palavra diz, embora, para mim, a melodia é o que mais chama a minha atenção musicalmente'', complementou.
O primeiro CD da cantora foi lançado em 1996 e ainda rende elogios. Além do repertório interpretado com elegância, vale destacar alguns músicos que fizeram parte desse projeto: José E. Gramani (violino, bandolim e rabeca) e Ivan Vilela (viola caipira), ambos referências nacionais. O disco privilegia as cordas e há pouca percussão.
Há duas composições em inglês bastante conhecidas (''Miss Celie's Blues'', de Quincy Jones, Rod Temperon e Lionel Richie, e ''Cry Me a River'', de Arthur Hamilton) que mostram bem o som límpido da voz de soprano de Isa Taube. As outras músicas o CD tem dez faixas são de autores nacionais conhecidos, como João Bosco e Caetano Veloso.
A grande surpresa do disco está na última faixa. Trata-se de ''Beira Mar'' (Rancho de Areia), peça da Tradição Oral Brasileira, que é finalizada com a declamação por Ivan Vilela do poema ''Cantá'', de Gildes Bezerra. ''Cantano disperta o só/ Canta sempri mais: di tardi, di noiti i di dia/ Cantá, cantá qui a páiz/ Carece e mais cantoria/ Cantá seja lá cumu fô/ Si a dô fô mais grandi qui o peito / Cantá bem mais forti quia dô''. O ouvinte mais atento certamente vai deixar-se envolver pela simplicidade cabocla e se emocionar.
As dificuldades da inserção no mercado fonográfico nacional foi um dos motivos apontados pela cantora para não ter tentado nova ''empreitada'' para produzir outro CD. ''Mas acho que isso vai ser feito em breve. Estou com a intenção de produzir um CD só de voz e violão com o Ricardo Matsuda, que já havia trabalhado no CD de estréia'', disse.
Isa Taube também faz parte, desde 1984, do grupo musical Anima, que mistura tradição oral com a música européia (medieval e renascentista). O grupo, que inicia turnê nas unidades do Sesc de São Paulo, está lançando o CD ''Amares''. Quem quiser adquirir os CDs pode enviar e-mail para [email protected].


