DISCO - Velho novo metal
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sábado, 07 de agosto de 2004
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Quando surgiu, na segunda metade dos anos 90, o ''nu metal'' atraiu simpatizantes e detratores em igual proporção. Para uns, a tendência parecia oxigenar um gênero que já respirava por aparelhos. Para outros, não passava de uma mistura indigesta de estilos, sem qualquer parentesco com a linhagem musical seguida por cabeludos do mundo todo desde os anos 70.
''Nu metal'' virou sinônimo para vocais berrados, guitarras de riffs graves (sem solos e com paradinhas) e bateria-britadeira. Mas ficou marcado particularmente pelas fusões rítmicas com o rap, a eletrônica, o gótico e até o rock alternativo. Não demorou para a vertente emplacar bandas como Korn, Limp Bizkit, Staind, System of a Down, Papa Roach, Deftones e Linkin Park.
Há quem diga que a adesão da molecada foi impulsionada menos pelo som do que pelo look caricato dos músicos um mix de piercings, tattoos, cortes nada discretos de cabelos e roupas de marcas esportivas ou pouco convencionais. Veja as fotos que ilustram essa matéria e tire suas conclusões.
As três bandas estão com novos discos no mercado brasileiro. Embora negue a filiação, o Soulfly não foge ao padrão, ainda que o eleve para outro patamar de qualidade. Em seu novo álbum, ''Prophecy'', a banda de Max Cavalera segue mesclando a pauleira com sonoridades incomuns ao metal. O disco é repleto de variações bruscas de dinâmica. Se a faixa ''Living Sacrifice'' traz apenas uma sugestão de música étnica na introdução, em outras a inserção de arranjos de world music chegam a dividí-las em duas partes uma direta e pesada, outra experimental.
Há desde uma levada reggae em ''Mars'' até batucada de samba em ''Porrada'' (cantada em português), passando pela percussão afro em ''Born Again Anarchist'', música tradicional da Sérvia em ''Moses'' (com participação do grupo local Eyesburn), além de latinidades em ''Soufly IV''. Em ''Wings'', o vocal sugere uma cantora de de r&b e os metais do trecho final remetem a uma banda de coreto.
O repertório inclui uma cover do Helmet, ''In The Meantime'', e seis faixas extras gravadas ao vivo. Mudando de formação a cada disco, Max contou desta vez com a colaboração de músicos como o guitarrista Marc Rizzo (ex-III NiÀo) e o baixista Dave Ellefson (do Megadeth). O álbum foi mixado por Terry Date, que trabalha com as bandas Deftones e Pantera. ''Prophecy'' talvez seja o melhor disco de Max desde sua conturbada saída do Sepultura.
O Sepultura, aliás, influenciou meio mundo no reino do ''novo metal''. A bandas Coal Chamber e Slipknot são tributárias descaradas. A primeira, extinta no ano passado, tem uma coletânea de material raro chegando às lojas. ''Giving the Devil His Due'' reúne 20 faixas entre remixes, lados B, demos e registros ao vivo. A única composição inédita, ''Headstones and The Walking Dead'', abre o disco alternando agressividade vocal com trechos falados.
Na empolgante ''El Cu Cuy (Man-To-Monster Mix)'', martelam bases pesadas e vocais distorcidos. O restante do material repete os clichês do nu metal, intercalando faixas rápidas e outras com andamentos desacelerados, sem nunca abandonar a ferocidade encenada. A fórmula ainda ecoa no álbum ''Slipknot: Vol. 3 (The Subliminal Verses)'', o novo do Slipknot, banda cujos membros apresentam-se sempre com máscaras de filmes de terror e macacões com códigos de barra estampados.
A surpresa é que, aqui, a barulheira thrash de algumas faixas divide espaço com canções amenas. Já na faixa de abertura, ''Prelude 3.0'', a banda parece convertida ao rock alternativo com suas guitarras climáticas e vocal melodioso e levemente abafado. Na balada ''Vermillion PT. 2'', eles tocam violões e recorrem a um arranjo para cellos e violinos. As novidades, porém, não trazem nenhum efeito capaz de entusiasmar que já não seja fã do grupo.


