DISCO - Um bom achado musical
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de agosto de 2006
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Basta acionar o play que você não vai ter vontade de pular nenhuma faixa do disco. Isso vale pelo doce e delicado timbre da cantora e também pelas harmonias que transitam nas 12 músicas de ''Achou''. A dona da voz é a mineira Ceumar e a veia melódica, do compositor e instrumentista paulistano, Dante Ozzetti, que também encabeça todas as parcerias do projeto. Lançado pela MCD, a idéia do disco começou a ganhar vida durante o Festival de Música Brasileira, realizado em 2005 pela TV Cultura, ocasião em que os dois conquistaram o público com as apresentações da música ''Achou'', faixa que batizou o CD. Apesar de ter lançado ''Dindinha'' (2000) e ''Sempre Viva'' (2003), Ceumar não considera essa parceria seu terceiro trabalho-solo, mas um projeto muito especial.
O encontro começa com o afro-reggae ritmado pelo violão, bandolim, baixo e bateria, na poética ''Prá Lá'', de Luiz Tatit, em que discorre sobre a relação de infinitude do tempo e do espaço no cotidiano. Zeca Baleiro assina a humorada ''Partidão'', um mezzo-reggae de Ozzetti com Inspiração de Itamar Assumpção. ''Alguém Total'', com a harmonia sofisticada de Dante Ozzetti e letra de Luiz Tatit, retrata a poesia revelada nos abraços que não têm hora para acabar. Como notável arranjador, o parceiro de Ceumar consegue migrar de uma levada a outra com tal facilidade, que gerou ''Parei Querer'' a la Zélia Duncan, responsável pela letra, ao fundo do suingue de violões de aço.
Alzira Espíndola faz duas parcerias com Dante: a faixa título do disco ''Achou'' um baião com desenho rítmico camerístico e reflexões instigante sobre o amor e o blues ''Parte B'', a respeito dos sentimentos femininos. E por aí segue o ''achado'' plural de harmonia, vozes e palavras. A seguir, os principais trechos que a cantora concedeu a Folha2.
Foi a partir do Festival de Música Brasileira, exibido pela TV Cultura, que você e o Dante decidiram gravar esse CD?
Eu acho que sim, porque a gente se conhecia de alguns shows, mas o festival deu essa chance para que a gente se apresentasse junto, ao vivo. A gente teve a resposta muito rápida de que funcionava; tivemos vontade mesmo de prosseguir com a parceria. Foi super rápido e uma convergência de vontades. Também achei uma oportunidade ótima para eu experimentar esse meu lado só de intérprete e, ao lado dele, mostrar as composições desse maravilhoso compositor.
Como os arranjos foram pensado nesse trabalho? A gente pode encontrar um pouco de xote, frevo, canção...
Não foi nada pré-combinado não. A gente nunca falou 'tem que ter vários ritmos'; nunca foi conversado isso. Partimos do princípio de que eu pudesse cantar aquela música bem, que caisse bem na minha voz. Pelo pouco que ele me conhecia e por sua sensibilidade, acho que ele caminhou para músicas que tivessem um colorido bacana na minha voz. Foi saindo à medida que o disco foi saindo. Acho que tem um pouquinho da cara de todos os parceiros Do Chico, da Zélia, do Zeca e o Dante dando esse conjunto bacana pra tudo.
A parte da instrumentação desse CD está um pouco diferente do primeiro e segundo?
No ''Dindinha'' eu também tinha uma opção pelas cordas e pelo acústico. No ''Sempre Viva'', tinha baixo elétrico, bateria, mas uma soniridade acústica. O ''Achou'' também, mas o grande achado mesmo é a mistrura que o Dante sabe fazer, então por isso eu não digo que esse é o meu terceiro CD. É um projeto especial porque tem o Dante Ozzetti; o projeto é pensado por nós dois. Seu eu fosse fazer as música só do meu jeito, talvez os arranjos fossem diferentes mesmo. Essa pegada, essa levada que você observa nesse disco é característica dele.
Se você não considera o ''Achou'' seu terceiro CD, a gente pode dizer que ele está a caminho?
(Risos) Pode sim. Eu me permiti fazer esse projeto com o Dante, mas continuo com meus shows-solo e tenho o projeto para meu terceiro trabalho para o ano que vem. Tenho experimentado nos shows e tudo, mas como eu também não tenho essa cobrança do mercado, eu me dou essa liberdade de não ter mesmo um tempo específico. Sei lá, se acontece outra coisa e tem um projeto bacana eu vou. Eu tenho um pouco de desprendimento, porque para mim faz parte da minha carreira também estar aberta a outras coisas. Se eu ficasse fechada, eu acho que não teria chegado onde estou.
Você sempre participa de festivais e também projetos do gênero menores. Qual é o seu enfoque?
O que eu mais saboreio é perceber que em cada lugar as pessoas estão muito ligadas no que a gente está dizendo. E eu me sinto animada, porque não é só a televisão e as grandes redes de comunicação que estão chegando. Acho que as pessoas querem que cheguem mesmo. Eu fui para Rio Branco, Porto velho, e tinha um público muito interessado no que a gente está cantando. Você percebe que tem muito espaço, assim como nos interiores... Em Presidente Prudente (SP), por exemplo, foi maravilhoso o show que eu fiz lá, pois pude levar meu cenário. Você percebe que tem gente pra ver e isso dá um ânimo. Mas com certeza ainda há uma dificuldade muito grande de chegar a esses lugares. A música independente tem ainda que conquistar um espaço de vender um show, porque fazer o disco a gente já sabe fazer, porque tudo mundo se vira. Mas a divulgação ainda é um desafio.
Você e o Dante já estão em turnê com o ''Achou''?
Não, a gente vai estrear aqui em setembro. Agora, em agosto, a gente vai fazer muito pocket-show. Mas com certeza a gente quer fazer show. No Festival de Música de Londrina, por exemplo, a gente fica sonhando em participar (risos). Já comentaram que nessa edição tinha gente comprando o meu CD. A gente precisa ir para Londrina.
Qual é a sua formação musical?
Eu me dediquei memso ao violão clássico. Mas nessa época eu também fazia aula de canto, mas nunca fui muito estudiosa. Eu aprendia um pouco e, até hoje, eu utilizo do meu jeito as técnicas que eu sei. Eu parei com o violão e meu professor ficou muito triste (risos), pois ele achava que eu seria uma grande concertista, mas não fui. Eu sempre toquei violão. É uma das formas de me expressar, os arranjos sempre partem do violão. Acho que o projeto desse terceiro CD será mais autoral, pois eu tenho feito música com mais liberdade. Inclusive eu já tenho boas parcerias, como por exemplo, Tata Fernandes, Sérgio Pererê, Cléber Albuquerque, a Alice Ruiz, e ainda os que eu acho que serão meus parceros. E já propus ao Dante para sermos parceiros.
Serviço
- Disco ''Achou'', de Ceumar e Dante Ozzetti, pela MCD. Preço sugerido: R$ 22,00.


