DISCO - Toda a maestria de Altamiro
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de agosto de 2005
Beatriz Coelho Silva<br> Agência Estado 
Aos 80 anos, o flautista Altamiro Carrilho está retomando sua carreira. Não que ele a tenha interrompido, pois sempre faz shows e recebe convites para apresentar-se na noite, especialmente depois que os jovens redescobriram (mais uma vez) o choro. Mas o CD e DVD que ele gravou no Teatro Municipal de Niterói é um novo impulso para um artista que toca desde a primeira infância e é profissional há mais de seis décadas, que perdeu a conta de quantos shows fez no Brasil e no exterior e tem 112 discos lançados. A idéia do CD e do DVD, previstos para 2006, é do produtor Andreas Pavel, alemão que passou a infância e a juventude no Brasil.
Nos anos 70, ele trabalhou na TV Cultura e na Editora Abril, onde lançou a coleção Os Pensadores, de filosofia, e Música Popular Brasileira, uma das primeiras a vender discos (com encarte biográfico) em bancas de jornais. Pavel sonhava com o projeto havia anos. ''Só não entendo como ninguém fez antes'', comenta. ''O Altamiro é o maior chorão vivo e tem uma obra de intérprete e de compositor fundamental.''
Essa obra perpassa o DVD e o disco, gravado em dois dias, com uma constelação de instrumentistas nacionais e internacionais como o francês Nicolas Krassic (com quem fez dueto com os hinos da França e do Brasil) e a cantora e bandolinista Nilze Carvalho encantarem o público. E ainda teve também de mostrar seu talento de showman. Um incidente com o caminhão de som parou o espetáculo por quase uma hora, quando Altamiro entreteve o público com tanta maestria (e algum som de flauta) que ninguém arredou o pé.
Também o teatro, de 400 lugares, estava lotado de fãs, apesar de ter sido realizado quase em segredo. Gente que ouviu falar, do Rio ou de Niterói, foi sem convite e apreciou duetos de Altamiro com a pianista Maria Teresa Madeira tocando Chiquinha Gonzaga, com Zé da Velha em ''Espinha de Bacalhau'' e ''Na Glória'' (que teve também Silvério Pontes), Bach com o flautista e um grupo de cordas e a família Carrilho unida em ''Esquerdinha na Gafieira'', choro em homenagem a um antigo jogador do Flamengo, onde o sincopado e os vaivéns da melodia evidenciam o virtuosismo. ''As músicas foram escolhidas para agradar ao público, não para mostrar técnica'', explica Carrilho. ''A gente fica atento ao que agrada. Até porque não existe público frio, mas repertório errado''.


