Passados oito anos após um bem-sucedido projeto acústico com a marca MTV, o grupo Titãs experimenta mais uma vez a parceria com a emissora, colocando no mercado a dobradinha CD e DVD MTV ao Vivo Titãs, gravada em uma fortaleza, em Florianópolis. O pacote inclui um programa de TV, que vai ao ar na MTV hoje, às 19 horas seguido pela chegada do disco às lojas na amanhã e do DVD, em outubro. Para o quinteto, encabeçado por Paulo Miklos, Tony Bellotto, Branco Mello, Sérgio Britto e Charles Gavin, gravar um CD ao vivo (e, automaticamente, recheado com o antigo repertório) e não um trabalho de inéditas tem justificativa simples: eles queriam um registro ''satisfatório'' do que é a banda num show, num palco. Em tempos de DVD, o motivo é legítimo, acrescido do detalhe de o grupo contar 23 anos de carreira.
''A gente vive revisitando nosso trabalho. Desde 1988, com ''Go Back'', não temos versão ao vivo do nosso show e achamos um bom momento para isso'', defende o guitarrista Tony Bellotto. Na hora de montar o repertório, o grupo tentou fugir das releituras já feitas em ''Go Back''. Em vão. Acabaram resgatando, mais uma vez, canções como ''Polícia'' e ''Bichos Escrotos''.
Apesar de ser predominante, os sucessos não são os únicos a preencher CD e DVD. ''Há algumas músicas lado B que a gente gosta muito. É um disco que dá um barato fazer: pegamos todos os CDs, todas as turnês, discutimos muito, queríamos gravar quase um disco duplo'', conta Branco, que finaliza um documentário sobre a banda. ''Durante uma carreira tão longa, uma música como Mentiras, por exemplo, não tocou em rádio. E para um público mais jovem, que conhece a gente a partir do Acústico, é como se fosse inédita'', emenda Bellotto. Fãs mais ardorosos, atentem para ''Mentiras'': originalmente gravada por Paulo Miklos, no disco ''Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas'', agora, na versão ao vivo, ganhou o vocal de Sérgio Britto.
O projeto Ao Vivo conta com uma novidade aqui, outra acolá. Como a inclusão de três inéditas: ''Anjo Exterminador'', de Britto; ''O Inferno São os Outros'', de Branco, Gavin e Bellotto; e ''Vossa Excelência'', de Gavin, Miklos e Bellotto. Vossa Excelência vem chamando a atenção por ir de encontro ao quadro de crise política no Brasil. ''Senhores!/ Senhores!/ Filha da p./Bandido!/ Corrupto!/ Ladrão!/ Sorrindo para a câmera/ Sem saber que estamos vendo/ Chorando que dá pena/ Quando sabem que estão em cena.''
Miklos afirma que uma parte da composição já existia e a outra foi alinhavada com o momento político. ''A gente vem, há tempos, nesta situação. Esta crise mais aguda me inspirou a levar o tema para o ensaio'', afirma. Para o Titã, ''Vossa Excelência'' não se comporta como uma canção panfletária: mesmo atual, ela foi composta como qualquer outra, garantem. ''Essa história de fortalecer as instituições democráticas é tudo o que necessitamos e, para isso, precisamos de cidadãos mais ativos. Seja como for. Talvez a nossa maneira Titãs seja essa, fazendo música'', acredita Britto.
O grupo aproveita para exteriorizar novamente sua admiração pela obra de Roberto Carlos, regravando ''O Portão'', uma parceria do Rei e Erasmo Carlos. Bellotto conta que a idéia inicial era gravar ''Quero Que Vá Tudo pro Inferno'', outra parceria com Erasmo. Consciente das restrições de Roberto a essa música, o guitarrista ligou para seu autor. Simpaticamente, Roberto pediu para ele escolher outra canção de seu repertório. Foi quando ''O Portão'' entrou na história.
Com este trabalho, a banda vai sair em turnê em novembro. Enquanto isso, Miklos tenta conciliar shows e seu papel na nova novela da Globo. Será que ele vai conseguir? ''A gente também quer saber'', brinca Bellotto. Miklos emenda: ''O que ando dizendo por aí é que vou tirar de letra.'' Segundo ele, há um acordo com a Globo para que as gravações não atropelem sua agenda com o grupo. Brincadeiras à parte, ele conta com o apoio da banda. Bellotto endossa: ''Ele é bom, por isso a gente deixou ele fazer a novela'', diverte-se. ''Ele leva jeito.''

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