DISCO - Strokesmania
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de novembro de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Todos os críticos irão elegê-lo o melhor álbum de rock do ano. A unanimidade em torno de ''Room on Fire'', o novo disco da banda nova-iorquina The Strokes, pode ser conferida nas capas recentes das principais publicações musicais do mundo.
Entre os entusiastas, a comparação nem é com outros lançamentos da temporada, mas com ''Is This It, o aclamado trabalho de estréia. A discussão é se ele é melhor ou tão bom quanto aquele. A impressão é de que ninguém mais está imune à strokesmania. Na vizinha Maringá, já existe até uma banda cover do quinteto mais festejado da América.
Os primeiros exemplares do novo CD chegaram esta semana às lojas de Londrina. Mas, há pelo menos 20 dias, cópias baixadas da Internet circulavam em velocidade estonteante pela cidade. ''Room on Fire'' traz 11 faixas no estilo tôsco e seco que consagrou os meninos nova-iorquinos dois anos atrás.
Os vocais levemente distorcidos e os riffs despojados de guitarras continuam guiando as melodias de Julian Casablancas, que canta como se tivesse um funil na boca. Com exceção de alguns timbres eletrônicos de bateria pontuando uma faixa ou outra (particularmente em ''The End Has no End''), o material não traz qualquer inovação em relação a ''Is This It'', o que no caso soa mais como uma virtude do que como uma deficiência.
Foi, aliás, para preservar a sonoridade suja e crua da banda que o quinteto preferiu convocar outra vez o produtor Gordon Raphael para pilotar as sessões de gravação dispensando os serviços do respeitável Nigel Godrich (Beck e Radiohead). O resultado é que o repertório soa como material de sobra ou continuidade do disco anterior.
A coleção de canções boas assombra, com destaque para ''I Can't Win'' (a última, a mais empolgante de todas), ''12:51'' (escolhida para ser o primeiro clipe promocional do disco), ''Between Love & Hate'' (com levada de ska no meio) e ''Meet Me in the Bathroom'' (a melodia mais singela, mais aderente). Mas é curioso como as outras faixas vão se revelando a cada audição, a ponto de tumultuar a eleição das melhores.
As músicas têm curta duração e final súbito uma marca registrada do grupo. Numa entrevista para o tablóide inglês New Musical Express, os meninos contaram que entraram no estúdio com as 11 composições praticamente escolhidas. Durante os ensaios, eles iam rejeitando todos os esboços de canções que não estivessem à altura daquelas.
Com autonomia para escalar ou dispensar produtor, independente do prestígio deste ou daquele, Julian Casablancas, Nick Valensi (guitarra), Albert Hammond Jr. (guitarra), Nikolai Fraiture (baixo) e Fabrizio Moretti (bateria) passaram pelo teste do temerário ''segundo disco'' e agora são saudados como os novos reis do rock.
Dois anos depois, ''Is This It'' continua habitando os CD-players. Só que, agora, em grande companhia.


