Curitiba - Não importa a raça, o credo ou a classe social. Não existe uma pessoa que não tenha cantarolado baixinho ou mesmo a altos brados músicas que se tornaram ícones do estilo brega ao sentir uma dorzinha de cotovelo. Versos como ''Garçon, aqui, nesta mesa de bar/você já cansou de escutar, centenas de caso de amor'' ou ''Sorria, meu bem, sorria, da infelicidade, que você procurou'' atravessam décadas de sucesso, se não nas rádios, no imaginário popular. Tanto a primeira, composta por Reginaldo Rossi, como a segunda, de Evaldo Braga e Carmem Lúcia, são interpretadas por Rossi no disco ''Reginaldo Rossi - Ao vivo: O melhor do brega'', que acaba de ser lançado pela Indie Records.
Além de reunir os maiores sucessos do músico pernambucano, o álbum é acompanhado por um CD bônus de karaokê. Ou seja, agora ninguém mais precisa cantar sozinho as músicas que inevitavelmente ocupam o espaço dos finais (ou início) de festa. Basta colocar o CD bônus e soltar a voz. ''Não tem quem não conheça essas músicas. Nos meus shows, que são os melhores do mundo, o público canta junto todas as canções'', contou Rossi, em entrevista à Folha, por telefone.
Ele revela que planeja fazer um disco ao vivo, com as canções que marcaram a sua carreira, há pelo menos dez anos, mas que nunca conseguiu isso pela Sony Music, gravadora que o acompanhou nos últimos oito anos. Por isso, ele assume agora o seu primeiro trabalho com a Indie Records. ''Estou muito feliz com esse disco porque ele saiu do jeito que eu queria. Eu falei: 'eu não quero nada de tecladinho, quero cantar ao vivo e com big band'. E foi assim que aconteceu'', diz.
Rossi conta que só consegue se soltar nos shows. ''No estúdio fico meio travado, além disso, não tem nada melhor que a resposta imediata do público.'' E o repertório do disco foi escolhido exatamente para agradar a esse público. Tanto que o CD ganharia o título de ''Músicas que o público gosta de cantar'', mas acabou levando a referência de '' O melhor do brega'', numa alusão ao livro ''Eu não sou cachorro, não'', de Paulo Cesar de Araújo (editora Record/2002), que aborda a história da música brega no País.
A música ''Eu não sou cachorro, não'', de Waldick Soriano, integra o repertório do disco na versão interpretada por Rossi e na versão instrumental, do CD de karaokê. Mas apesar de se considerar o ''rei do brega'', o músico não gosta de classificar o brega como um estilo. ''Música não tem estilo, tem nota musical. Com essas notas, você tem que agradar o maior tipo de gente, assim como a letra tem que ser entendida pelo maior número de pessoas'', analisa.
Para Rossi, o preconceito relacionado às músicas que canta desde que iniciou a carreira, há mais de três décadas, está relacionado à língua portuguesa. ''Frank Sinatra cantava dramalhão. Elvis (Presley) cantava dramalhão. Porque eu não posso cantar?'', questiona.
Reginaldo Rossi começou sua carreira na década de 60, influenciado pelos Beatles. Se orgulha de dizer que foi o primeiro cantor de rock do nordeste, à frente do extinto grupo ''The Silver Jets''. Na época, ele já tinha abandonado a carreira de professor de matemática e a faculdade de Engenharia Civil, que cursou durante quatro anos, para se dedicar à música. Hoje, ele comanda o mercado musical no Nordeste e acumula 50 discos lançados, 18 relançamentos, 14 discos de ouro, dois de platina, um de platina duplo e 1 de diamante.
Para lançar ''Reginaldo Rossi - Ao vivo'', pelo País, o músico ainda não tem agenda definida. ''Minha intenção é ir a todos os lugares'', avisa. A turnê pelo Paraná ainda não tem data, mas o disco já pode ser encontrado nas lojas.

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