DISCO - Repertório multicolorido
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de junho de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba Foi para dar uma resposta aos seus fãs que Emílio Santiago escolheu o repertório de ''O Melhor das Aquarelas'', disco recém-lançado pela Indie Records. Em entrevista à Folha2, por telefone, ele revelou que estava sendo muito cobrado sobre o projeto que começou na década de 80 e rendeu sete discos. Selecionou então as músicas mais pedidas em seus shows durante esse tempo para integrar o CD e o DVD, gravado ao vivo no Canecão, no Rio de Janeiro, em março deste ano. ''Estes dois trabalhos fecham um ciclo. Agora estou pronto para fazer coisas novas'', contou o cantor.
As 15 faixas do CD não são inéditas. As músicas novas (''Dias de Lua'', ''Reciclar'', ''Mulher'', ''Eu Sei Que Vou Te Amar'', ''Essa fase do amor'' e ''Fato Consumado'') estão reservadas ao DVD, mas o intérprete carioca classifica o novo disco como um balanço da sua carreira. ''Eu sou um cantor privilegiado, não só pela voz, mas pelo carinho do público e queria retribuir isso'', diz. Ele considera ''Saigon'' (de Aquarela 2) uma das músicas mais marcantes da sua trajetória como intérprete. O hit integra o repertório do disco ao lado de clássicos como o samba ''Verdade Chinesa'' (1990) e pot-pourris que reúnem as músicas mais marcantes da MPB, como ''Desenho de Giz'' e ''Papel Machê'', de João Bosco.
O lançamento simultâneo dos dois trabalhos marca 32 anos de carreira do cantor. Emílio Santiago começou a cantar em festivais universitários, quando ainda cursava a faculdade de Direito, no Rio de Janeiro. Chegou a ser crooner da orquestra de Ed Lincoln e habitué de boates e casas noturnas cariocas até gravar o seu primeiro primeiro compacto, lançado em 1973. Dois anos mais tarde ele gravaria o seu primeiro LP, que não obteve nenhum sucesso comercial. Foi no entanto, um sinal para as gravadoras que começaram a prestar mais atenção no potencial da voz do cantor.
No ano seguinte, ele já gravaria com a Polygram, onde lançou uma dezena de discos nos anos seguintes. Em 1988, já com oito discos gravados e acumulando prêmios em festivais, Emílio foi convidado por Roberto Menescal para gravar ''Aquarela Brasileira'', reunindo clássicos da música popular. Outros seis discos seriam gravados, resultando em milhões de cópias vendidas. Com o projeto ''Aquarelas Brasileiras'', ele também acumulou prêmios. Foram seis discos de platina, sete discos de ouro e o Prêmio Sharp, para citar os mais salientes. O sétimo disco da série foi gravado em 1995.
Mas Emílio Santiago não se considera um refém das ''aquarelas''. Às vésperas de completar 60 anos (ele nasceu em dezembro, de 1946), ele diz se sentir realizado com o projeto que marcou toda a sua carreira, mas também pronto para fazer novas incursões. ''Ainda não tenho nada planejado''. Por enquanto, o cantor dedica-se à agenda de lançamentos do CD e DVD ''O Melhor das Aquarelas'' e ainda não tem planos para temporada. ''Com certeza farei shows no Sul'', promete.


