DISCO - Paquito D'Rivera grava CD com músicas brasileiras
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terça-feira, 05 de agosto de 2003
João Luiz Sampaio<br>Agência Estado 
Paquito D'Rivera acaba de gravar com o conjunto New York Voices um disco dedicado à música brasileira. Não há ainda previsão de data de lançamento, mas já está nas lojas outro trabalho seu com nossa música, uma reunião com Yo Yo Ma, Rosa Passos, Egberto Gismonti e cia., dedicado a composições de Tom Jobim, Pixinguinha e Baden Powell, entre outros. O disco chama-se ''Obrigado Brasil'', então o que exatamente Rivera acha que deve agradecer à nossa música? ''É um dos poucos países em que a fronteira entre o erudito e o popular é muito sutil, o que é muito interessante e redefine o próprio trabalho do músico. Trabalhei agora no disco com os irmãos Assad e me surpreendi quando me disseram que eram concertistas. Pensei que tocassem nas ruas, nos bares'', diz ele, rindo, por telefone de Nova York.
Não fica difícil entender, portanto, sua exaltação perante a oportunidade de tocar a ''Fantasia para Saxofone e Orquestra'' de Villa-Lobos, um dos destaques das apresentações da orquestra na turnê pelo Brasil. ''O cara era um gênio. A peça é fantástica, muito bem escrita, com linhas longuíssimas e difíceis de executar, é verdade, mas no fim vale a pena, só para poder ouvir aquela beleza toda.''
A peça data da década de 40 e comentaristas costumam apontar nela a capacidade de Villa-Lobos em transformar quase qualquer sonoridade em uma linguagem brasileira, sempre extremamente pessoal. ''Acho deliciosa uma coisa que ele disse certa vez: 'O folclore sou eu'. Era um compositor extremamente original, o que é mais fantástico ainda se pensarmos que ele utilizou quase sempre um material já existente. E olha que ele compôs coisa pra caramba, sempre com este estilo único.''
Rivera não é desconhecido do público brasileiro, já esteve por aqui algumas vezes. ''Fiz uma homenagem a Pixinguinha da qual nunca vou me esquecer'', comenta. E os motivos são claros. ''Nasci em Cuba, mas metade de meu coração é brasileira'', diz, rindo.
E por quê? ''Há algo na sua música que a torna muito especial. A harmonia, as melodias, as letras, tudo aparece muito bem combinado, com alma, sentimento, de modo arrojado, o que é muito atraente. E estar aí tocando com esta orquestra torna a visita muito especial para mim. Fiquei muito feliz com o convite. A idéia desse diálogo musical é muito boa e Villa-Lobos tem muito a dizer sobre isso. Sua música, ao mostrar a fronteira sutil entre o erudito e o popular, ensina como pode ser fácil arriscar a pular a cerca entre as nossas diferenças.''
Além da peça de Villa-Lobos, os músicos apresentarão peças de Ginastera (''Variações Concertantes''), Kodaly (''Dances de Galanta''), Revueltas (''Las Noches de Los Mayas''), Barber (''School for Scandal Overture''), Strauss (''D. Juan'' e ''Till Eulenspiegel'') e Ravel (''Daphnis e Chloe'', ''Suíte n.º 2'').


