Está de volta às prateleiras o disco de estréia da cantora e compositora Zélia Duncan, ''Outra Luz'', lançado pela gravadora Eldorado há 15 anos, quando ainda utilizava seu nome de batismo, Zélia Cristina. O relançamento do disco marca o retorno da gravadora Eldorado ao mercado sendo ''Outra Luz'' o primeiro de uma série de discos importantes do catálogo da Eldorado que retornarão às lojas, muitos com faixas bônus e outros pela primeira vez em cd.
''Outra Luz'' é um resumo da trajetória que Zélia havia trilhado durante a década de oitenta. Dona de uma voz única e de um estilo diferenciado, capaz de misturar MPB, pop, rock e samba de forma natural, Zélia Cristina foi ''descoberta'' durante temporada do show ''Zélia Cristina no Caos'' no final dos anos 80, na casa de shows carioca Mistura Fina. O show chamou a atenção do departamento artístico do Estúdio Eldorado e a proposta de gravação de ''Outra Luz'' foi feita. No álbum, além da faixa título composta por Zélia com seu eterno parceiro Christian Oyens, pequeno hit nas rádios paulistas no início da década de 90, ela gravou, em ''Outra Luz'', delicada versão de ''Superhomem, a Canção'', de Gilberto Gil, ''Pirataria'', de Rita Lee e ''Segredo'', de Luiz Melodia além da romântica ''Lagoa'', de um ainda pouco conhecido Orlando Morais.
A faixa ''Segredo'' conta com a participação afetiva do próprio Melodia em dueto com Zélia. Melodia teve importante papel no início de sua carreira, ainda quando a cantora morava em Brasília nos anos 80. Zélia foi escolhida para abrir o show de Luiz Melodia, no Teatro Nacional de Brasília, iniciando uma série de projetos que iriam desembocar no show carioca e em seu álbum de estréia.
Um destes projetos foi o ''Projeto Pixinguinha'', quando fez parte de uma trupe de artistas que juntamente com Wagner Tiso e Cida Moreira viajaram pelo Brasil. A experiência fez com que amadurecesse seu repertório, onde figuravam canções menos conhecidas do público. Para Zélia, estas escolhas tinham como objetivo fugir de interpretações óbvias e conseguir maior liberdade de criar. Vanguarda paulista, os baianos, rock inglês, tudo era filtrado na busca por uma musicalidade inusitada e mais arrojada, que acabou refletindo em toda sua carreira.
''Outra Luz'' gerou uma turnê que passou pelas principais capitais brasileiras, com Zélia Cristina sendo indicada para dois prêmios Sharp de Música naquele ano: o de revelação e o de melhor cantora de pop-rock. No ano seguinte, Zélia Cristina foi convidada para cantar na Arábia Saudita. Quando voltou, cinco meses depois, ela estava pronta para dar continuidade a sua carreira, agora mais autoral, atendendo por Zélia Duncan.

mockup