Belle & Sebastian: grupo avesso à vida de rock-star possui legião de admiradores em todo o mundo
Os metidos já esnobam o Belle & Sebastian, que teria se vulgarizado com a excessiva exposição na mídia e a posterior passagem pelo Brasil há dois anos. Bobagem. Talvez seja agora, longe dos holofotes de ocasião, que o grupo escocês tenha todo o tempo do mundo para polir suas canções bucólicas sem se sujeitar a compromissos ingratos.
É o que sugere a audição do novo álbum ''Dear Catastrophe Waitress'' (Trama), um dos melhores já lançados pela banda. A voz contida e vacilante de Stuart Murdock continua sublinhando as melodias, mas os arranjos receberam um novo tratamento com recheios orquestrais e ênfase nos backing vocals. O grupo manteve a suavidade, encorpando-a com outros timbres.
A mudança já estava prevista quando os sete integrantes decidiram convidar o produtor Trevor Horn para trabalhar no disco. Colaborador de nomes como Pet Shop Boys, Frank Goes to Hollywood e Tatu, Horn aperfeiçoou as composições pastoris imprimindo renovadas texturas às bases sempre tímidas do septeto. Em ''If She Wants Me'', o B & S lembra o saudoso grupo Style Council, expoente da new-bossa nos anos 80.
Abre com um groove de guitarra acústica para em seguida acolher vocais, piano e cordas no momento mais alto do repertório. Em ''Step Into My Office, Baby'', a primeira faixa do disco, remetem aos Beach Boys apresentando inspiradas harmonias vocais. Sarah Martin, que substituiu Isobel Campbell, é quem faz agora as vozes femininas destacando-se particularmente em ''Asleep on a Sunbeam'' e ''You Don't Send Me''.
Mais sofisticado, o Belle & Sebastian provavelmente já não tenha o rebanho de devotos deslumbrados rondando seus calcanhares como há quatro ou cinco anos, quando virou fenômeno de culto no circuito indie. Os admiradores de primeira hora, porém, não têm do que se queixar. O novo disco ecoa as delicadezas de praxe. É, quase, um oásis de sutileza.

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