Um dos grupos de maior sucesso no Brasil no fim dos anos 80 e início dos 90 resolveu deixar a guitarra de lado e investir na viola caipira e no violão. O resultado destas experiências poderá ser conferido hoje e amanhã na gravação do segundo acústico da banda, em São Paulo.
''Depois que gravamos o ''Acústico MTV', em 2004, ficamos muito tempo na estrada com ele, e a apresentação cresceu. Fomos incorporando coisas, amadurecendo. Deixei a guitarra de lado e comecei a tocar viola caipira, para se ter uma idéia. A idéia de compor músicas já no formato acústico surgiu naturalmente'', conta o líder do Engenheiros, Humberto Gessinger, que sai na frente das possíveis críticas e admite que esse novo trabalho é, sim, uma continuação do projeto iniciado em conjunto com a MTV. ''Eu gosto de dar continuidade a um trabalho, acho isso muito importante. Não nego que o álbum anterior influencie diretamente o atual e não vejo problemas nisso'', diz.
Daí a idéia de misturar canções inéditas, algumas compostas durante a turnê, com grandes sucessos da carreira que ficaram de fora do primeiro ''Acústico''. ''Poderíamos ficar só transformando nosso repertório, mas a idéia não é essa. Por isso, novas músicas'', afirma. Entre as mais conhecidas do público estão ''Toda Forma de Poder'' - que abre o show -, ''Parabólica'', na qual Gessinger divide os microfones com a filha, Clara, e ''Pra Ser Sincero'', que deverá encerrar a apresentação - sem contar o bis.
A escolha de São Paulo para a gravação não foi aleatória. ''Além da logística do show, temos um público fiel na cidade. Outra coisa muito legal é que a gente toca no Citibank desde que era o Palace, ou seja, faz mais de 15 anos que nos apresentamos nesse palco, tem toda uma memória afetiva'', conta o vocalista. A gravação do DVD ''10.000 Destinos'', em 2000, foi realizada no mesmo palco onde acontecerão as apresentações desplugadas.
E quem acha que a banda dará adeus ao formato acústico após o fim da gravação está muito enganado. Gessinger conta que, no que depender dele, essa será a aposta do Engenheiros daqui para a frente. ''Pelo menos durante um bom tempo, eu não me vejo fazendo música de outra maneira. A turnê acústica foi uma coisa muito forte, o modo como as canções são trabalhadas é muito diferente'', conta Gessinger, que não descarta, porém, ''em um futuro distante'', voltar a utilizar os instrumentos habituais de uma banda pop/rock. ''Mas, por enquanto, não está nos planos fazer um disco tradicional'', afirma o músico.
Além de Clara Gessinger, filha do vocalista, o baterista Carlos Maltz, da primeira formação do grupo, participa do show tocando na inédita ''Cinza''.

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