DISCO - New Rock City
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terça-feira, 23 de setembro de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
The Strokes, Interpol e The Rapture puxam a fila. Ao todo, são 16 bandas reunidas no CD ''Yes New York'' (Warner), que acaba de chegar ao Brasil quase simultaneamente ao lançamento no exterior.
A coletânea tenta fornecer um painel do novo rock surgido na cidade a partir da virada do milênio e, especialmente, depois do estouro mundial dos Strokes. O título foi inspirado em ''No New York'', compilação organizada pelo músico Brian Eno em 1978.
Toda a grana arrecadada com a venda do CD será destinada à Musicians On Call, uma organização dedicada a levar músicos e música aos hospitais. Todas as canções foram doadas pelos artistas participantes. Os Strokes abrem o repertório com a faixa ''New York City Cops (Live in Iceland)'', incluída nas cópias brasileiras do álbum de estréia da banda mas banida da edição americana.
Na época do lançamento, no final de 2001, a canção foi uma das ''vítimas'' da censura pós-11 de setembro cuja tesoura passou a vetar qualquer crítica à polícia local, tema da canção escrita pelos meninos. Na coletânea, a música reaparece numa gravação ao vivo. A intenção foi boa, mas para o público brasileiro melhor seria a inclusão de uma composição inédita, mesmo porque ''New York City Cops'' não chega a ser empolgante.
Além dela, outra inédita é a acústica ''Year To Be Hated'', executada pela banda Unitard, projeto paralelo de Karen O e Zinner, ambos do Yeah Yeah Yeahs, outro grupo badalado da cena. O elogiado Radio 4 comparece com ''Save Your City'', disparando guitarradas sujas de três acordes. Longwave acalma a tormenta ruidosa com ''Next Plateau'', uma singela balada ao violão.
Calla é a mais ''britânica'' das bandas elencadas, lembrando a sonoridade inaugurada pelos Stones Roses há mais de uma década e reiterada com pequenas variações por tudo o que veio depois na terra de Beckham. The Natural History, por sua vez, sugere influências do Blur, particularmente nos vocais. The Rapture é um dos destaques do repertório com ''Olio'', um mix de batidas eletrônicas com guitarras.
O que mais chama atenção na faixa são os vocais desesperados de Luke Jenner cujos timbres remetem a Robert Smith, do The Cure. ''Ohio'' abre ''Echoes'', álbum que saiu há poucos dias no mercado internacional e que deve chegar nas próximas semanas ao Brasil na esteira da passagem do grupo pelo País como convidado do Tim Jazz Festival.
A boa surpresa é a desconhecida Secret Machines, cuja canção ''What Used To Be French'' introduz o ouvinte com uma nota de baixo e outra de guitarra num crescendo climático com forte marcação de bateria. A já incensada Interpol ajuda a elevar a qualidade do CD com ''NYC'', presente em seu belo álbum de estréia. A escalação inclui ainda faixas das bandas The Fever, The Walkmen, The Roger Sisters, Le Tigre, The Witnesses e Ted Leo/Pharmacists.
Não se sabe se o projeto prevê outra compilação, mas pela quantidade de nomes difundidos que ficaram de fora, bem que poderiam lançar mais um CD da renovada meca do rock.


