Os Demônios da Garoa atravessam gerações. Continuam de pé, uma década depois de entrarem para o Guinness Book of Records como o grupo musical mais longevo do mundo. O CD ''60 Anos'', lançado pela Dabliú, chegou recentemente às lojas para comemorar a longa trajetória. O disco foi gravado ao vivo durante dois dias de shows no Sesc-Pompéia, em São Paulo.
Traz composições próprias e afinadas interpretações de clássicos de Adoniran Barbosa como ''Saudosa Maloca'', ''Trem dos Onze'', ''Tiro ao Álvaro'', ''Samba do Arnesto'' e ''Iracema''. Toninho Gomes (violão tenor), Izael Caldeira (percussão), Roberto Barbosa ''Canhotinho'' (cavaquinho), Serginho Rosa (pandeiro), Simbad (violão de seis cordas) e Ventura Ramires (violão de sete cordas) mantêm a homogeneidade nos arranjos rítmicos e nas performances vocais, como se nunca tivesse sofrido avarias em sua formação ao longo do percurso.
Para as gravações do disco, eles contaram com participações especiais de Oswaldinho da Cuíca, Ricardo Rosa, Guilherme Liguori e Gustavo Liguori. Considerado o mais paulistano dos grupo vocais, o Demônios já lançou mais de 60 discos. O núcleo original se reuniu pela primeira vez em 1943, tocando em festas e serestas ainda sob o nome Grupo do Luar. Na época, venceram um concurso na Rádio Bandeirantes participando do programa de calouros ''A Hora da Bomba''.
O prêmio foi um contrato com as Emissoras Unidas (Bandeirantes, Record, Panamericana e São Paulo) para se apresentarem três vezes por semana. Mais tarde, já rebatizados, foram campeões do carnaval paulista em 1951 e 1952 com os sambas ''Malvina'' e ''Joga a Chave'' (parceria com Osvaldo Molles), ambos de Adonirana. ''Já houve quem dissesse que Adoniram é mais Adoniram quando interpretado pelos Demônios da Garoa, o que é uma grande verdade'' escreveu o biógrafo Bruno Gomes no livro ''Adoniran Um Sambista Diferente'' (Coleção MPB da Funarte 1987).
Cantando com o sotaque da Mooca, bairro de imigrantes italianos de São Paulo, o grupo contribuiu para que se reconhecesse que havia bons sambistas na terra da garoa. Ao longo da carreira, emprestaram suas vozes para outros compositores, além de Adoniran, bastando lembrar ''Ois Nóis Aqui Tra Veis'' (de Geraldo Blota/Joseval Peixoto), ''Preta Pretinha''(Os Novos Baianos), ''Promessa Do Jacó'' ( Américo de Campos), ''Chum-Chim-Chum'' (Heitor Carrillo), ''Vai No Bixiga Pra Ver'' (Geraldo Filme), ''Vamo Que Vamo'' (Renato Teixeira).
O primeiro disco dos Demônios saiu em 1950. De lá para cá, resistiram aos modismos sem nunca perder o prumo, como atesta o CD comemorativo dos 60 anos.

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