Ela já está prestes a tirar o terceiro passaporte. O exterior a chama constantemente e Rosa Passos, com sua singularidade musical, afivela malas, coloca o violão no estojo talvez repleto de adesivos ''frágil'' ou ''fragile'' e vai com o maior prazer do mundo. Aliás, meio mundo já se dobrou à arte refinada dessa baiana que está nas lojas brasileiras e também em prateleiras dos Estados Unidos, Europa, Japão e futuramente China com seu mais novo disco. ''Rosa'', chama-se. O projeto traz a intérprete, compositora e instrumentista interpretando canções próprias e inéditas, releituras de clássicos da música brasileira e compositores contemporâneos Jorge Drexler, por exemplo, recebeu o sopro artístico de Rosa Passos. Sob chancela da gravadora norte-americana Telarc, ''Rosa'' chega ao Brasil com distribuição da gigante Universal Music.
Quinzes canções. Abre com a delicada voz de Rosinha, carinhosamente chamada pelos mais íntimos, cantando ''Duas Contas'' (Garoto), a capella, para em seguida extrair novos coloridos de ''Eu Não Existo Sem Você''. Desenha e redesenha em econômicos acordes ''Olhos nos Olhos'' (Chico Buarque) e ''Sentado à Beira do Caminho'' (Roberto-Erasmo Carlos) com a mesma intenção cromática de ''Fusión'' (Drexler) e o bolero ''Desilusión'' (em parceria com Santiago Auserón). ''Rosa'' prima pela delicadeza e intimismo. Cool jazz, para uma referência mais próxima.
O repertório perpassa uma certa melancolia amorosa, mas a tangência dos sentidos está mais para a contemplação do que para a dor crônica. ''É uma melancolia morena'', diz Rosa Passos. Uma prévia do que viria a ser ''Rosa'' aconteceu no dia 10 de fevereiro quando a artista foi convidada para cantar e toca no Carnegie Hall, lendária casa de espetáculo nova-iorquina. Lotação esgotada. O que não chega a ser surpresa para a baiana que provocou admiração em nomes representativos da música internacional como Yo-Yo Ma, violoncelista chinês radicado nos Estados Unidos (do qual participou do premiado ''Obrigado, Brazil'',de 2003, e com o qual concorreu ao Grammy como intérprete na faixa ''Chega de Saudade''), Ron Carter, legendário baixista de jazz norte-americano (com o qual gravou ''Entre Amigos'',em 2002) e Henri Salvador, em com quem cantou em Paris, em 2005.
O Brasil pouco sabe de Rosa Passos. Ela segue seu caminho consolidando-se como uma das artistas brasileiras com mais aceitação no exterior de todos os tempos fruto de inumeráveis turnês, workshops, concertos. Ela serenamente aceita sua missão de fazer música, seja lá fora ou mesmo para exigentes platéias brasileiras. Está plena! Ao ponto de não mais se incomodar com o rótulo de ''João Gilberto de Saias'', maneira mais rasa que encontraram para designar sua arte no Brasil. João, com quem mantém conversa longamente ao telefone, é referência. Isso é fato. Mas Rosa Passos é muito, muito mais. É, principalmente, a mais refinada artista do Brasil. É bom saber da Rosa!

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