DISCO - Barão Vermelho lança novo CD
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terça-feira, 16 de novembro de 2004
Adriana Del Ré<br> Agência Estado 
Foram quatro anos de pausa, mas também de uma volta anunciada. Na verdade, nem os próprios músicos do Barão Vermelho tinham idéia de quando esse prazo de validade iria expirar. Pelo menos, não até o início deste ano, momento em que tiveram vontade de se juntar novamente e gravar o 15º CD, ''Barão Vermelho'', lançado agora pela Warner. No período em que a banda ficou desagregada, no sentido artístico da palavra, houve muitas avaliações a despeito dos 20 anos de carreira do Barão e liberdade consentida para se tocar projetos inimagináveis dentro do conjunto de rock.
Roberto Frejat, guitarrista e vocalista, investiu na carreira-solo (desejo que o levou a pedir tempo para os companheiros), flertou com o pop e lançou dois discos. O percussionista Peninha montou a própria banda. O baixista Rodrigo Santos participou de shows do Kid Abelha, Blitz, da gravação do CD-solo de George Israel (do Kid Abelha), além de produzir o trabalho de novas bandas. O guitarrista Fernando Magalhães tocou com Gabriel O Pensador, Vinny, produziu CD dos Detonautas e criou um selo para bandas de rock desconhecidas. Já o baterista Guto Goffi abriu uma loja especializada em instrumentos artesanais.
Frejat conta que, em princípio, a separação duraria apenas um disco-solo dele. ''Antes de lançá-lo, percebi que eu estava a fim de uma carreira-solo. Chamei todos e falei que era importante para mim e para todos consolidarmos as coisas que estávamos fazendo.'' Na opinião do músico, o fato de cada um ter um caminho independente deixa todos tranquilos para uma hora que quiserem ir embora. ''Quando paramos, o que tínhamos? Só o Barão. Havíamos passado 20 anos só nos dedicando ao grupo. Hoje, temos outras coisas.''
Para o Barão, foram experiências muito produtivas, mas que ficarão fora da banda. ''Às vezes, você vê alguma coisa que gostaria de aproveitar no grupo, mas também acaba sacrificando a banda ao procurar caminhos que não têm a ver com ela. Por isso, é bacana ter projetos lá fora'', acredita Frejat. E motivados pela retomada de suas origens, do que eles chamam de ''impressão digital do Barão'', a banda quis marcar seu regresso com um CD essencialmente rock, sem economizar nos riffs de guitarra ou numa bateria mais contundente. Talvez, movidos ainda por um exercício de mea-culpa pelas experimentações testadas em discos anteriores, como as texturas exageradamente eletrônicas em ''Puro Êxtase'' ou a cozinha acústica de Balada.
Um CD de rock era também um desejo de Tom Capone, co-produtor do álbum ''Barão Vermelho'', ao lado de Ezequiel Neves e do próprio Barão. Nos últimos tempos envolvido com produções de MPB, Capone - que morreu recentemente num acidente nos EUA, após sair da premiação do Grammy Latino - elegeu esse novo trabalho da banda como o ''CD de rock do ano'' para ele. O produtor chegou a participar da escolha do repertório, dos ensaios, das gravações. ''O Tom está presente no disco como um todo: trabalhou não só a sonoridade dos instrumentos, mas também discutiu os últimos detalhes de formato, arranjos, introduções. Ele ficou com a gente até o momento que eu comecei a gravar as vozes'', diz Frejat. ''Na noite do Grammy, ele foi convidado para muitos trabalhos. O músico Santana estava louco para fazer um projeto com Maria Rita e com ele.''
Sem Capone, a banda precisou seguir adiante, mas dentro do espírito de gravações imbuído pelo produtor. Das 26 músicas que tinham em mãos inicialmente, ficaram 11 canções no repertório do CD ''Barão Vermelho'', que faz uma viagem pelos temas do cotidiano, num rock que pode beirar a uma ou outra balada, ou numa sonoridade mais nervosa. A poesia das letras do grupo - muito disso ficou perdido com a ausência de Cazuza - fora resgatada numa composição aqui outra acolá. Desta vez, Mauro Santa Cecília e Frejat recorreram a um poema de Baudelaire, o adaptaram e o transformaram na canção ''Embriague-se''.
Além das 11 canções, há duas faixas que podem ser baixadas pela internet para quem comprar o disco. Segundo eles, isso não tem nada a ver com combate à pirataria: é um presente para os fãs. ''Para a pirataria, existem outras soluções: é preciso baixar preço do disco, de ir atrás do dinheiro que a financia'', acredita Frejat. Ele faz parte do grupo de artistas que está batalhando pela criação de Câmaras Setoriais na música, na literatura, artes cênicas e visuais, com objetivo de ter uma representatividade no governo e estabelecer políticas públicas. ''Na música, temos muitos assuntos a tratar, como as questões trabalhistas e da educação musical'', diz. ''Durante muito tempo, o Ministério da Cultura esteve preocupado com as adequações da própria estrutura, só que a gente não pode ficar esperando tanto tempo. Precisamos que algumas ações sejam encaminhadas.''


