DISCO - Ao som da viola
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segunda-feira, 15 de setembro de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Eles se encontram todas as segundas-feiras para tocar, cantar, jogar conversa fora e saborear um cardápio especialmente preparado para a ocasião. São dezenas de músicos sertanejos aglutinados em torno da Companhia da Viola, uma espécie de ''clube do bolinha'' que exclui a presença feminina de suas reuniões.
Com três anos de criação, os confrades decidiram agora lançar um CD para arrecadar fundos para a associação. O disco saiu dos fornos com participação de três cantores e 14 duplas sertanejas, incluindo algumas já famosas como Juliano & Jardel e Jucy & Juliana. ''A intenção da gravação é divulgar o nome da Companhia juntando renda para expandí-la até montar uma sede própria'' diz Edson Luiz Teodoro, o Jucy, responsável pela agenda de shows dos artistas.
Ele explica que a Companhia foi fundada após uma divisão na Confraria da Viola, que há 12 anos reunia todas as duplas caipiras da cidade. Depois do racha, um grupo manteve o antigo nome com um número menor de integrantes, enquanto o restante arrebanhou a maioria dos músicos e simpatizantes do gênero reunindo atualmente cerca de 130 membros.
Nos jantares semanais, cumpre-se um ritual que inclui apresentação dos violeiros, execução de um hino próprio, o anúncio dos visitantes e os parabéns aos eventuais aniversariantes. Não é permitida a entrada de mulheres, exceção feita às sessões especiais quando alguma cantora está de passagem pela cidade e é convidada para dar um pulo no local para dar uma canja.
Jucy justiifica-se: ''Preferimos assim para evitar falatórios, ciumeira e inveja. Esses problemas, que são comuns, poderiam provocar o fim da Companhia. Então é melhor deixá-las de fora''. Ocupando a sede da Associção dos Viajantes, para a qual paga aluguel, a confraria mantém uma ''caravana'' de 10 duplas para a realização de shows.
Para cada apresentação são escaladas quatro duplas, que são escolhidas pelos contratantes. Os shows costumam durar três horas. O elenco abriga desde herdeiras da música caipira de raiz a seguidoras da vertente urba-neja. ''A coisa da roça não morre nunca, mas a gente aceita os estilos mais jovens, não fazemos discriminação'' salienta Jucy.
O artista conta que a maioria dos shows ocorre na região, acrescentando que a recessão econômica fez com que diminuíssem convites para tocar fora do Estado. A Companhia, no entanto, tem chamado a atenção de visitantes de outras localidades do país. ''Outro dia, um pessoal de Campo Grande (MS) esteve na cidade e ficou admirado com a nossa organização. Falaram que gostariam de fazer algo parecido por lá'' diz.
O CD, batizado ''Companhia da Viola'', foi gravado em 32 canais no Estudio T.S, em Londrina. Traz uma faixa cada das duplas Juliano & Jardel (''Alô Brasil''), Zé da Viola & Diplomata (''Sentimento''), Jucy & Juliana (''Não Beba Mais Não''), Havaí & Havaré (''O Vai e Vem do Carreiro''), Almir Salles & Rossi (''Presente de Deus''), Mestre Carreiro & Professor (''Os Mandamentos e a Viola''), Augusto & Ramalho (''Porta do Céu''), Peão do Vale & Portinari (''Princesa do Vale''), Alberto & Ademir (''Alô Londrina''), Tid & Ted (''Linha 683''), Dy Pascal & Palmares (''O Beijo do Adeus''), Lucas & Manolo (''Totalmente Indiferente''), Noventa & Nove (''Pó Patapataio'') e Tibagi & Riomar (''Gavião Apaixonado'').
O repertório inclui ainda faixas dos violeiros Cândido (''Morena''), Ravel (''Crepúsculo Sertanejo'') e Paulo Santiago (''Ainda Ontem Chorei de Saudade''). Por enquanto, não há nenhum show de lançamento marcado. Os contatos para adquirir o CD devem ser feitos pelos telefones (43) 3324-6016 e 9994-5720.


