Disco - Antonio Mariano Junior
Disco Antonio Mariano Junior
Zezé di Camargo e Luciano
O nono e novo disco de Zezé di Camargo e Luciano (Sony) é muito bonito. A capa é muito bonita, o encarte é muito bonito, as fotos são muito bonitas, os dois estão muito bonitos (com visual novo)...Ah, as músicas? Aquela mesmice de sempre canções açucaradas, letras débeis, arranjos manjados. Tudo começa com Pare! (César Augusto-Piska) que já está tocando nas rádias da vida e vem alavancando a vendagem de Zezé di Camargo e Luciano, volume 9. O repertório, como sempre, gira em torno do amor e desamor, seja em português ou mesmo em versões sofríveis como Eu Nasci Pra Amar Você (Born To Give My Love to You), assinadas por Zezé mais a filha Wanessa di Camargo. Duro mesmo é ler os pensamentos profundíssimos que Zezé escreveu em algumas páginas do disco. Um deles: A loucura é apenas o ápice da liberdade. Lindo, não? Daí dá para se ter uma idéia do que é o disco. Trabalho sem peso, feito para fãs de carteirinha da dupla.
ReproduçãoCláudio LinsO filho do dono da gravadora resolveu lançar um disco. Um é o primeiro CD
de Cláudio Lins, filho de Ivan, que vem a ser o proprietário da Velas. Pop, um disco pop em que convivem até que harmoniosamente bem programações eletrônicas e instrumentos elétricos e acústicos. Há algumas letras e canções consideráveis, vindas de compositores hábeis como Celso Fonseca, Dudu Falcão, Moacyr Luz, Aldir Blanc e mesmo o próprio Cláudio. Vale a pena ouvir a versão menos acelerada de Tudo Bem (Lulu Santos). Das inéditas, é bom dar uma conferida em Demônio da Guarda (Ivan Lins e Vitor Martins). Agora, não havia necessidade de regravar Pavão Mysteriozo (Ednardo) essa música já deu o que tinha que dar. Enfim, faltou um pouquinho de sal em Um . Cláudio precisava amadurecer melhor o canto antes da nova empreitada. Não que cante mal; é travado o rapaz. Coisas de primeiro disco.
ReproduçãoTrio EsperançaÉ o tipo de disco que começa bem e termina mal das pernas. Nosso Mundo (Universal), terceiro CD lançado desde que o Trio Esperança retomou a carreira, em 92, tem seu mérito apenas por trazer as sagradas vozes de Evinha, Mariza e Regina Corrêa. É irrepreensível o entrosamento e cruzamento vocal das meninas. Porém, o repertório é uma mixórdia além de canções brasileiras e portuguesas, vai do folclore senegalês e passa por versões de canções francesas e japonesas, por exemplo. É bem coisa de volta ao mundo, um expediente utilizado por crooner para animar bailes da terceira idade. Reconheçamos: a versão bossanovística de Granada ficou deliciosa. Digerível a adaptação de La Boheme (com participação de Charles Aznavour). Mas nem com antiácido efervescente (três envelopinhos que seja) dá para assentar no organismo a versão cretina de Volare. Um CD para se ouvir pulando faixas.
ReproduçãoTimbaladaÉ preciso diferenciar a Timbalada do enxame de batuqueiros caça-níqueis que alguém vira e mexe apedreja na Bahia e que vem zumbir nos nossos ouvidos sulistas. De fato, o grupo foi formado para animar galeras. Mas há sempre algumas coisas boas diluídas em batuquês frenéticos registrados nos discos da Timbalada. ...Pense minha Cor... (Universal) não foge a essa regra. É um disco festivo mas não descamba para o oba-oba. A sacada da vez fica por conta de Cadê o Escavadô (Djalma Santos), a primeira faixa, um rap sedimentado nos timbaus. Zorra (Ninha Brito/Nem Cardoso) é feita para animar turistas, mas é bacaninha. A singeleza ficou a cargo de Carta de Coraçãozinho (Moisés). O ó do borogodó de ...Pense minha Cor... tem nome. Chama-se Parabéns a Você (Carlinhos Brown-Marisa Monte). No mais, trata-se de um disco para animar a festa com categoria.
ReproduçãoDois CórregosDiscos contendo a trilha sonora de filmes costumam passar batidos. Pelo menos no Brasil é assim. Nunca se ouviu dizer que algum lançamento nacional tenha despertado bastante interesse dos compradores que assistiram aos filmes. Nem Tieta, cuja trilha foi assinada por Caetano Veloso, teve repercussão. Para quem gosta de reviver musicalmente, em casa, momentos bacanas de produções cinematográficas lá vai uma dica. Está chegando às lojas o disco com a trilha sonora de Dois Córregos, de Carlos Reichenbach, lançado pela Velas. O projeto musical é assinado por Ivan Lins com arranjos do competente Nelson Ayres. São temas suaves, delicados, bonitos. Bons exemplos são Encontro dos Rios, Flying Free (de Ivan e Nelson) e Procissão (com trecho de diálogos do filme). Há também, na trilha, obras de Schumann e de Mário Gennari Filho.
ReproduçãoRay ConniffSe cantadas já são duras de aguentar, imagine só canções sertanejas instrumentais. E o que é pior: revistas por Ray Conniff. Pois é, minha gente, o maestro de cabelos brancos está lançando o seu Ray Conniff s Country (Abril Music) que traz 10 clássicos da safada música country tupiniquim. Lá estão, entre outras pepitas, Pense em Mim, É o Amor, Festa de Rodeio e Entre Tapas e Beijos. No meio disso tudo, foi incluída No Rancho Fundo (Lamartine Babo-Ary Barroso) por obra e graça da dupla Chitãozinho e Xororó que a regravou cheia de trinados e a colocou na memória musical brasileira como sendo uma pérola do mundinho sertanejo atual. O disco obedece ao estilão Big Band de mister Conniff. E quem gosta do estilão do dito cujo há de se esbaldar com mais essa coisa. Disco oportunista que não merece maiores comentários.





