DISCO - A 'Reserva de Alegria' de Edvaldo Santana
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de dezembro de 2006
Ronaldo Evangelista<br> Folhapress 
Edvaldo Santana, 50 anos e 30 de carreira, não é um maldito. Aliás, Edvaldo Santana não acredita no rótulo de ''maldito''. O músico, que acaba de lançar seu novo álbum, ''Reserva de Alegria'', faz parte de uma linhagem que inclui de Tom Zé a Itamar Assumpção, mas nega qualquer linha evolutiva ''paralela'' à música brasileira ''oficial''. ''Se é paralelo, não sou eu que vou dizer'', comenta ele. ''Isso é coisa de mercado, de querer catalogar. Não gosto muito desse tipo de coisa, parece uma tentativa de isolar certos músicos. A arte é maior que rótulos. Esse negócio de maldito é uma coisa que ninguém gosta. Pô, o cara faz uma música bonita e você vai chamar de maldito?''
Com sua voz rouca e sua infinidade de influências - em especial o blues e diversidades brasileiras -, Santana é invariavelmente comparado a Tom Waits, especialmente pelo timbre de voz e certa crueza em temas e arranjos. O músico da zona leste descendente de pernambucana e piauiense reconhece a influência, mas relativiza o quanto.
''Isso vem mais de outras pessoas, de quem ouve'', explica. ''Eu gosto do Tom Waits. Ele é um dos caras que ouvi, mas acho que a comparação é mais por causa da voz e por ambos termos uma relação forte com a música negra. Hoje em dia, todo mundo se influencia por todo mundo.''
Citando como referências principais músicos distintos como Raul Seixas e Sérgio Sampaio, Luiz Melodia e Adoniran Barbosa, Bob Marley e John Lennon, Carlos Santana e Jimi Hendrix, Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga, Santana reconhece que sua principal característica é o sincretismo resultante de tudo o que ouve. Mas, então, como explicar Edvaldo Santana?
''Acho que sou um compositor e cantor que recebe influências fragmentadas'', afirma o próprio. ''E, com isso, eu consigo fazer um caldeirão, consigo fazer música que seja saudável para o meu sentimento. Pego o suingue sofisticado da música brasileira e também a melancolia do blues e misturo com música latina, rock, jazz, xote, baião, poesia, literatura de cordel... E continuo aprendendo algo novo todos os dias, recebendo influências. Isso nunca pára'', diz o músico.


