A banda londrinense AcordaOnça está comemorando, com seis meses de atraso, a prensagem das cópias de seu primeiro CD. A demora na entrega quase levou os músicos a desistirem do projeto. No ano passado, chegaram a fazer um show de lançamento no bar Valentino sem ter o trabalho pronto para mostrar ao público.
''Ficamos na mão. Não tínhamos perspectiva de quando ele sairia da fábrica. Agora, com o disco pronto, pretendemos distribuí-lo em São Paulo'' explicam. O disco, intitulado ''Chiclete Virtual'', é uma produção independente e vai chegar ao público com uma tiragem de um mil exemplares. As sessões de gravação ocorreram nos últimos três anos utilizando vários estúdios locais: Áudio Sonora, TNT, Quilombo Groove, Up e Dinamus.
AcordaOnça já tocou em duas edições do Festival Demo Sul. A exemplo dos grupos locais Bonus Trash e Benditos Energúmenos, também funde poesia e rock adotando vocais falados em vez de cantados. ''Somos os pioneiros na cidade. Essa tendência está crescendo. É um trabalho corajoso, porque é difícil de assimilar'' diz o guitarrita Bruno Iglesias, principal compositor da banda.
A maioria de seus arranjos remete ao hard rock, embora ele prefira utilizar o rótulo ''rock contemporâneo''. Os poemas musicados são, todos, de autoria do vocalista Fernando Londrina. ''Escrevi as letras dentro do tempo musical, já pensando nas melodias'' conta ele. Fernando, que assinou também a ilustração da capa do CD, atua há mais de três décadas na área de artes plásticas.
Já publicou dois livros e lançou um CD em parceria com o músico Júnior Guitar, intitulado ''Bio di Verso'', do qual foram extraídas três faixas (''Sarau'', ''Pedrada'' e ''Baião'') posteriormente regravadas, remixadas e remasterizadas para compor o material de estréia da banda. O disco traz 11 composições e participações da cantora Gisele Almeida e do vocalista Júlio Anizelli.
Segundo Fernando, a canção ''Cosmoblue'' (que abre o repertório) aponta a linha das composições recentes e ainda inéditas do grupo. A letra diz: ''No Cosmoblue cientistas observam / Em cima, em baixo por dentro e por fora. Vejam os alquimistas estão voando / No Cosmo vestem um manto de galáxias / Só o nosso céu usa um chapéu azul / A terra é mariposa voando em torno do sol / Voa alquimista, quem anda abre caminho no ar / Quem caminha chega em algum lugar / Cada lugar tem vários pontos dentro do mesmo lugar / Quem pára é enterrado / Quem erra é perdoado / Quem pune tá enjaulado / Quem se ferve faz a guerra / Quem se queima perde o caminho / A verdade única é a vida inteira / Vejam os alquimistas estão voltando / Quem voa veste o chapéu azul, azulão / Voa, voa, voa além da inquisição / Voa longe da poluição / Voa além do lixo espacial''.
A temática ''cósmica'' ganha nitidez nos contornos psicodélicos criados para a composição ''Bocautomática''. ''Quis montar uma orquestra de guitarras nesta faixa. Não tem bateria, não tem nada sintetizado. Só guitarras'' diz Bruno. Além dele e de Fernando, a formação da banda inclui o baterista Silvio Raboni e o baixista Tiago (que toca na banda de metal Silver Blade).
Para divulgar o disco, eles tocam no dia 10 de abril, às 17 horas, na Casa da Capoeira. O show é organizado pela Associação Cultural do Rock de Londrina (ACRL) e vai contar com participações das bandas Lux Fert (de Maringá), War Fire, Lilith e Nacrofacia. Há previsão ainda de shows no Bar Valentino e no Anfiteatro do Zerão, mas sem datas definidas. A banda saiu da toca.

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