Discípulo inspirado
Quando a garotada inglesa descobria as raves, o ecstasy e a indie-dance, e a molecada norte-americana sucumbia às canções do R.E.M, os Pixies despontavam como a mais renovadora banda da virada da década com suas guitarras agudas, vocais zoados e ataques repentinos e alternados de suavidade e barulho.
Extinta em 93, a banda se mantém como uma fonte permanente de inspiração para as novas gerações. Jonny Polonsky é mais um herdeiro de seu legado, cuja influência chega a ser escandalosa em faixas como Cone Away e Half Mind, duas das melhores de seu primeiro CD.
Só que as semelhanças aqui têm, de fato, um pé na brodagem. Jonny Polonsky foi recomendado à gravadora American por ninguém menos que Charles Michael Kitteridge Thompson IV, vulgo Frank Black, o cabeça dos Pixies, que ficou de cara depois de ouvir as gravações caseiras do garoto num porta-estúdio de quatro canais.
Empolgado com as composições do discípulo, Black o convidou para fazer os shows de abertura de sua última turnê norte-americana. Abençoado pela sorte grande, Jonny mostra entretanto que possui luz própria. Com 22 anos, magricela, pinta de quem não renova o guarda-roupa há anos colado ao uniforme camiseta-jeans-tênis, ele oferece um cardápio de dez faixas com refrões radiofônicos e conduzidas por uma voz de timbre fanhoso que remete a Kurt Cobain, outra lenda pop da década. (N.S.)





