Dirk Bogarde morre aos 78 anos
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sábado, 08 de maio de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 09 (AE) - Ele tinha talento suficiente para interpretar personagens moralmente ambíguos (nos filmes de Joseph Losey e Luchino Visconti) e outros de grande integridade (O Homem de Kiev, de John Frankenheimer). No sábado, Dirk Bogarde (foto) morreu em Londres, de um ataque do coração. Tinha 78 anos. Por seus papéis nos filmes de Losey e Visconti, Bogarde ocupa um capítulo importante da história do cinema. Com Losey, foram cinco filmes: O Monstro de Londres, que o cineasta, por estar na lista negra do macarthismo, assinou como Victor Hambury, O Criado, Modesty Blaise, King and Country e Estranho Acidente. Com Visconti, dois: Os Deuses Malditos e Morte em Veneza.
Galã nos anos 50, assumiu seu homossexualismo quando fez Meu Passado me Condena, no começo dos 60. O filme de Basil Dearden, sobre um gay que é chantageado, teve um impacto tão grande que levou a um abrandamento das leis sobre homossexualismo na Inglaterra (que ainda eram as mesmas que haviam crucificado Oscar Wilde).
Um de seus maiores sucessos de público foi com o filme O Porteiro da Noite, de Liliana Cavani, em que protagonizou tórridas cenas de sexo com Charlotte Rampling, num estudo sobre sadomasoquismo na época do nazismo.
Bogarde abandonou o cinema em 1977. Ficou 12 anos afastado das telas e então voltou em Daddy Nostalgia, de Bertrand Tavernier, que foi seu último filme (em 1990). Nos anos 80, dedicou-se à literatura, escrevendo vários romances e três volumes de memórias que levaram os críticos a dizer que o grande ator era também um grande escritor, comparado até a Graham Greene.


