Diretores visitam local de espetáculo
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terça-feira, 06 de março de 2001
Simone Mattos De Curitiba 
Com 20 dias de antecedência, os diretores do espetáculo Felizes Para Sempre, Adriano e Fernando Guimarães, estiveram em Curitiba conferindo o palco que irão usar no 10º Festival de Teatro. O inusitado local escolhido por eles é uma sala com capacidade para 100 pessoas no Solar do Barão. A montagem é estrelada pela atriz Vera Holtz.
Eles consideraram a pequena sala ideal para a realização do espetáculo, que exige uma certa intimidade com a platéia. A intenção é fazer com que o público fique olho a olho com os atores, afirma Adriano.
Ele e seu irmão Fernando tiveram a idéia de montar Felizes Para Sempre há quatro anos, após a morte da avó dos diretores. O que os inspirou, mais precisamente, foi o acesso que tiveram ao quarto do avô, um médico oftalmologista no interior de Goiás, morto há 40 anos.
Um armário com cartas, objetos, fotografias, receitas e lembranças, que contava toda a história da família, foi o que encontraram. O móvel acabou sendo o ponto de partida para a criação do espetáculo que tem como base a idéia da vida e da morte, a sucessão de círculos que faz as pessoas repetirem diariamente atos e atitudes, e a relação que existe entre os homens e seus armários. Leia-se memórias, recordações e guardados.
Além das lembranças de família, os diretores se inspiraram em três textos de Samuel Beckett: Dias Felizes, Ir e Vir e Jogo para compôr o espetáculo em forma de trilogia.
Dias Felizes, com 1h40 de duração, conta o drama de Winnie, interpretada por Vera Holtz. Otimista, ela luta para não se entregar à morte, mas acaba sendo gradualmente tragada por seu armário. Casada com o inerte Willie (interpretado por Willian Ferreira), a personagem conta histórias e relembra o passado através de seus objetos pessoais.
Na segunda parte da trilogia, que dura sete minutos, Ir e Vir conta com as personagens Flo, Ru e Vi. Interpretadas pelas atrizes Catarina Accioly, Cleani Marques e Miriam Virna, elas movem-se entre armários e cadeiras.
Em Jogo, com 25 minutos de duração, três cabeças falantes presas a armários dialogam freneticamente ao comando da luz, que regula a velocidade do texto. Felizes Para Sempre já foi apresentado em Brasília e Rio de Janeiro.
Além da trilogia, o espetáculo conta com a performance O Olho, encenada pelo ator Alessandro Brandão; e a exposição Instalação, um conjunto de armários hospitalares com paredes e portas de vidros.


