A atriz e diretora Nicolleta Robello desde 1994 colabora com o Centro per la Sperimentazione e la Ricerca Teatrale di Pontedera, na Itália. Nicolleta empreendeu viagens cênicas com José Sinisterra, Yoshi Oida e Eugênio Barba, buscando um trabalho de ligação entre diversas culturas, comprovando que a diferença é a riqueza. Em Londrina, trabalhou intensivamente durante 20 dias. Há 6 anos desenvolve projetos voltados à terceira idade. ‘‘Essas pessoas não possuem artifícios dos atores, não são profissionais e têm até muitos defeitos. Mas o ator não é somente profissional, existem possibilidades maiores’’, avalia a diretora, em entrevista exlcusiva à Folha2, momentos antes de voltar para Itália. Ela não estará presente à noite de estréia de ‘‘Antígona’’. Para ela, há uma perda muito significativa para a comunidade com o profissionalismo no teatro.
A diretora, com recurso da improvisação teatral, procurou retirar a ‘‘máscara’’ de cada ator e buscou trabalhar a pessoa. ‘‘Teatro tem a ver com Deus, especialmente o teatro grego. O deus do teatro, Dionísio, é ambíguo. Eu não trabalho com um Deus católico, mas com o deus pagão’’, explica a diretora. Segundo Nicolleta, esse processo de simbiose entre ficção e a vida como ela é, busca algo além da relação entre as pessoas. Em ‘‘Antígona’’, em determinada cena, todos escolheram nomes de pessoas que morreram por um ideal para homenageá-los, numa espécie de réquiem. ‘‘É a primeira vez que trabalho sobre o tema êxtase, com uma relação tão profunda entre teatro e pessoa’’, disse a diretora.
A experiência com o Grupo Teatral Fase Três foi transformadora para o lado brasileiro e italiano. O grupo existe há 14 anos, tecendo um painel dramatúrgico de resgate da história e memória afetiva dos atores. O Fase Três possui direção de Maria Fernanda Coelho e João Henrique Berardi. Em 1999, com ‘‘Londrina, Zona Paraíso’’, representou o Brasil no Festival ‘‘It’s My Life’’, em Colônia, Alemanha. (F.F.)

mockup