Aos 33 anos de idade e dez de carreira, o diretor mineiro Sérgio Ferrara, encara atualmente um de seus maiores desafios: montar ‘‘Abajur Lilás’’, um dos mais desconhecidos textos do dramaturgo Plínio Marcos. Ensaiando exaustivamente desde janeiro, ele acumula ainda a expectativa de fazer a sua estréia pessoal no Festival de Teatro de Curitiba. ‘‘Eu nem sequer conheço a cidade’’, comenta.
Criado numa fazenda no interior de Minas Gerais, Ferrara cursou Artes Cênicas na Unicamp e não saiu mais de São Paulo. Trabalhou com Antunes Filho durante quatro anos no Centro de Pesquisa Teatral (CPT) e integrou o Grupo de Arte Boi Voador, supervisionado por Ulisses Cruz.
Na década de 90, recebeu três vezes o prêmio jornada Sesc de Teatro, por trabalhos de direção. Em 1997, dirigiu o ator Paulo Autran em ‘‘Antígona’’. ‘‘Foi a partir daí que a minha carreira deslanchou’’, afirma.
Fez ainda ‘‘Lulu, a Caixa de Pandora’’ e participou de um processo de pesquisa sobre o Expressionismo alemão no Instituto Goethe de São Paulo. Este foi o ponto de partida para montar o espetáculo chamado ‘‘O Senhor Paul’’, de Tankred Dorst, que lhe rendeu cinco indicações para o Prêmio Mambembe e uma para o Prêmio Shell.
Em seguida, obteve uma concessão do Ministério da Cultura para ocupar o teatro de arena com a pesquisa sobre a obra de Plínio Marcos. Montou também ‘‘Pobre Super Homem’’, que lhe deu o prêmio de Melhor Diretor de 2000 pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).
Sobre o futuro, Ferrara acalenta um sonho: fazer um espetáculo sobre a vida da artista Tarsila do Amaral. ‘‘Seria uma forma de homenagear São Paulo, cidade que me recebeu tão bem’’, comenta.(S.M.)

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