Diretor morreu antes de lapidar o último filme
Amir Labaki
Agência Folha
Stanley Kubrick morreu quatro dias depois de exibir aos produtores a primeira cópia montada do filme De Olhos Bem Fechados. As gorduras e quebras de ritmo são por demais evidentes. Kubrick mexia em suas obras até a exaustão, ouvindo muito a voz de seu público, profissional ou não. Chegou a cortar O Iluminado já após o lançamento comercial nos Estados Unidos. Não teve tempo para tanto com seu último filme.
Seu ensaio sobre o amor neste fim de século chega até nós, assim, em estado bruto. De Olhos Bem Fechados é um testamento inacabado. Tivesse sido assim reconhecido na campanha de estréia, mais equilibrada teria sido sua discussão.
Há que se reconhecer, por outro lado, o problema crucial do projeto: o roteiro. De Olhos Bem Fechados é de longe a adaptação literária mais fiel ao texto original filmada por Kubrick. Quebrou-se, assim, uma tradição.
O Kubrick maduro sempre gostou de partir de narrativas literárias e jornalísticas para a construção de seus filmes. Transformava-as tremendamente no processo de roteirização, procurando extrair delas sua essência e recriá-la em linguagem cinematográfica.





