Gramado, RS, 13 (AE) - Os dinamarqueses estão fazendo escola. O diretor Marcelo Masagão, de "Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos, lançou hoje no Festival de Gramado - Cinema Latino e Brasileiro o manifesto "O Dogma & o Desejo", numa referência ao Dogma 95. O manifesto nacional não chega a repudiar os recursos artificiais do cinema, como o dos dinamarqueses, preocupando-se basicamente com o orçamento dos filmes.
"Façamos filmes baratos, resumiu o diretor, que passou a manhã distribuindo folhetos do manifesto. Masagão acredita que o dogma dinamarquês levanta uma questão fundamental: "o prazer de fazer filmes. "No meio da narrativa daquelas produções, ninguém se pergunta se é vídeo ou película; talvez, o único dogma seja a presença de um bom roteiro e muito desejo de realizá-lo. O manifesto de Masagão antecipa o Dogma 999, que está sendo preparado por cineastas paulistas e cariocas. "A idéia é estipular um teto para o orçamento, que não deve ultrapassar os R$ 999 mil; se o cara quiser buscar dinheiro lá fora ou pedir ao papai, é problema dele, mas acho que deveríamos lutar contra o vírus hollywoodiano que se espalha por todos os cantos.
O documento destaca que, se o público médio para filmes nacionais é de 30 mil espectadores e o custo médio de cada produção é de R$ 3 milhões, cada espectador custa 100 reais. "Os gringos, sejam dinamarqueses ou não, estão mostrando-nos que é possível tocar projetos ousados com menos de R$ 1 milhão
disse Masagão, que pergunta no manifesto "Onde andará Garrincha e seus dribles?
O Dogma & O Desejo acabou ganhando apoio em Gramado - até de quem gastou um pouco mais na produção. "Nós, brasileiros
devemos privilegiar os dramas intimistas, as emoções e não tentar fazer um Titanic, já que não temos dinheiro para isso
disse o diretor Luiz Villaça. O diretor usou R$ 1,5 milhão em "Por Trás do Pano, um dos títulos nacionais que concorrem aos kikitos que serão entregues hoje à noite na Serra Gaúcha.

mockup