Diretor evita comentários sobre instalação de um Museu Guggenheim na AL
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 19 (AE) - Businessman do setor de artes, o administrador americano Thomas Krens dirige com um apurado faro comercial a Fundação Solomon R. Guggenheim, de Nova York, há dez anos. Nunca esteve na América Latina e nunca ouviu falar na Bienal Internacional de São Paulo. Mas é em suas mãos que repousa a decisão de trazer ou não uma franchise do Museu Guggenheim - uma das mais prestigiosas instituições artísticas do mundo - para cá. "É preciso considerar que a América do Sul tem grande público para a arte e que o Guggenheim é uma instituição internacional", reafirmou hoje Krens, que almoçou com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampréia, e terá um encontro à tarde com o presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasília.
Em três dias no Brasil, Krens foi recebido pelo arquiteto Oscar Niemeyer e pelo empresário Roberto Marinho, no Rio; pelo governador de São Paulo, Mário Covas, e pelo presidente da República, em Brasília. Em todos os encontros, evitou qualquer comentário incisivo sobre a questão da instalação de um Museu Guggenheim na América do Sul. "É muito cedo e essa não é a questão que me trouxe aqui", afirmou. Mesmo ao sobrevoar a cidade de helicóptero, para conhecer a área de 800 mil metros quadrados do Parque Villa-Lobos (que lhe foi oferecida pelo governador Covas para a instalação do museu), Krens não fez comentários adicionais. "É tudo muito preliminar ainda", afirmou, acrescentando que uma decisão desse tipo depende do conselho da fundação.
Krens reafirmou hoje que a Fundação Guggenheim deverá examinar outros países da região antes de tomar uma decisão sobre a instalação de uma franchise do museu. Mas os brasileiros estão otimistas. "O contato foi muito bom e eu devo encontrar-me com ele em Nova York daqui a 15 dias", disse Newton Simões, diretor do Complexo Cultural Villa-Lobos, que pode tornar-se parceiro do Guggenheim se o parque for, eventualmente, aprovado como sede. Mostra - Nelson Aguilar, curador da mostra Brasil 500 Anos (que vai ao Guggenheim em 2001), passou o dia de hoje reunido com um grupo de curadores do museu americano. Segundo ele, a decisão de o Brasil vir a receber um Guggenheim deverá ser exclusivamente política e financeira. "Não sei se São Paulo é exatamente o lugar, mas um primeiro passo já foi dado", disse.


