‘‘Mutação’’ é o primeiro filme norte-americano do mexicano Guilhermo Del Toro, de 33 anos, que ganhou o prêmio da crítica em Cannes com ‘‘Cronos’’, em 1993. Antes de trabalhar nos Estados Unidos, ele havia também dirigido programas na televisão mexicana e atualmente tem uma empresa especializada em maquiagem e efeitos especiais para produções de horror em Guadalajara.
Seu próximo projeto, ‘‘Mephisto’s Bridge’’, vai ser um ‘‘conto gótico de terror contemporâneo’’, que está sendo produzido por Martin Scorsese e Barbara De Fina. ‘‘Para mim, terror é uma obsessão desde que eu era criança’’, diz o diretor.
Ficou mais fácil assustar as pessoas nos anos 90?
Guilhermo Del Toro - Não acho que exista uma receita para assustar as pessoas, o único segredo é saber fazer as coisas no momento certo. Você pode ter muitos recursos diferentes, mas eles têm de aparecer no exato segundo em que a pessoa não está esperando, um pouco antes do que seria o óbvio. Tomei o cuidado de não produzir cenas que pudessem parecer patéticas. Criei um trecho em que o corpo do padre é carregado para dentro do bueiro porque achei que o som de ossos quebrando pode ser muito mais assustador do que o de uma pessoa gritando e tentando se desvencilhar de seu predador.
Por que incluiu a cena em que as crianças morrem?
Guilhermo Del Toro - Resolvemos fazer uma cena que iria chocar todo mundo. Odeio filmes de terror que são falsos. A cena das crianças é provavelmente a mais violenta de todo o filme, mas não há uma gota de sangue. Esta é a vantagem de trabalhar com um estúdio como a Dimension/Miramax, você fala que quer matar crianças no seu filme e eles vibram.
Por que acha que o público voltou a se interessar pelo gênero?
Guilhermo Del Toro - Porque a vida no século 20 está muito chata. Filmes de terror são uma boa válvula de escape para tudo isso, são uma maneira de aliviar a tensão. Você vê que o público fica tenso e logo depois relaxa. Para mim também é um jeito de botar tudo isso para fora. Se eu não estivesse dirigindo filmes, com certeza estaria roubando bancos ou assassinando políticos.

mockup