Rio, 20 (AE) - O diretor Eric Darnell, do desenho animado "FormiguinhaZ", parece um rapaz recém-saído da universidade que está descobrindo as maravilhas de sua profissão
não só por aparentar bem menos que seus 38 anos, mas também pelo entusiasmo com que fala de seu trabalho. Ele está no Brasil para participar do festival Anima Múndi e faz palestra no Papo Animado, amanhã (21), no Museu da Imagem e do Som (MIS), às 19 horas, em que vai mostrar alguns curtas que dirigiu antes de estrear em longa com "FormiguinhaZ" e falar de suas técnicas em computação gráfica.
Seu método de trabalho surpreende quem não está por dentro das modernas técnicas de animação. "Primeiro faço o storyboard das cenas e depois gravo as vozes dos atores dublando os personagens", explica ele, que chegou na sexta-feira vindo de Los Angeles, onde nasceu, mora e trabalha. "A partir da interpretação dos atores, crio as cenas porque eles dão o tom dos personagens". Foi assim que ele criou "FormiguinhaZ", com Woody Allen, Sharon Stone e Gene Hackman dublando os personagens principais. Cada ator gravou seu papel em separado.
"O interessante nesse trabalho é juntar tudo e criar a história", conta Darnell, que grava também em vídeo a interpretação dos atores, mas nem sempre olha o resultado ao desenhar as cenas. Woody Allen, por exemplo, deu o jeitão do personagem principal, o operário que não se adapta à vida no formigueiro. Mas no caso de Sharon Stone, que dublou a princesa, o diretor preferiu não ver sua imagem. "Ela tem uma figura tão marcante que, certamente, desenharia outra Sharon Stone".
O filme levou três anos para ser concluído e os principais personagens foram desenhados em papel antes de ir para o computador. Ele não se considera tão bom desenhista quanto diretor, mas acha que soube liderar uma equipe, que chegou a ter 180 pessoas. "Pretendo mostrar às pessoas que vierem conversar comigo não só esses desenhos, mas também o storyboard das cenas, o set que foi desenhado com e sem iluminação e todos os passos da produção". Atualmente, ele trabalha em novo desenho, novamente para a Dreamworks e a PDI Productions. "Será a história de um ogro (personagem da mitologia céltica) que sai pelo mundo à procura de amor e carinho", adianta. Eddie Murphy dublará o personagem principal e o filme deve ficar pronto no ano que vem. "Ainda não gravamos as vozes e não sabemos o que acontecerá na história". Ele conta que percorreu um caminho sinuoso para chegar ao desenho animado e à computação gráfica.
"Estudei biologia na universidade, depois me formei em produção de televisão, mas fiz alguns cursos de animação, porque queria entender como se conseguia chegar ao resultado que eu via na tela". Nesses cursos, a maioria dos alunos aprende a fazer o desenho tradicional, do tipo que Walt Disney popularizou, porque o mercado é maior, mas um pequeno grupo se interessava por desenho experimental. "Eu estive nos dois grupos".
É por isso que ele considera "FormiguinhaZ" um desenho híbrido. "É tradicional no sentido de que conta uma história linear, com personagens que vivem emoções reais", afirma. "Mas é também um filme experimental, pelas técnicas que mistura e porque atraiu não só as crianças, público tradicional dos desenhos animados, mas também adultos e adolescentes, que não costumavam a ver esse tipo de filme". Ele lembra que, como diretor prefere trabalhar com cenas em que o personagem está em close, expressando suas emoções, do que nas cenas de multidões, como as do formigueiro que aparecem em "FormiguinhaZ".
"Nessas, o trabalho é maior, mas há um programa para executá-las e cabe ao diretor apenas ajeitar o lugar ou a expressão de um ou outro personagem", explica. "Já nos closes, é preciso convencer que ali existe um personagem real, com cérebro e sentimentos, e aí está o mais emocionante do meu trabalho".

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