Berlim, 10 (AE) - Veterano dos festivais de Berlim no júri e agora como diretor da Rio Filmes, o brasileiro José Carlos Avelar destaca a presença brasileira no 50º Festival de Berlim- no júri, com Walter Salles Júnior, e no encerramento do festival. "O Brasil está na mostra oficial com o filme do encerramento do festival e isso é uma honra para o Brasil, apesar de não termos nenhum filme na competição." "Bossa Nova", de Bruno Barreto, será apresentado no dia 20. Agência Estado - Não estar na competição seria para evitar coincidência com a presenca de Walter Salles no júri ? José Carlos Avelar-Não há nenhuma relação no fato de Walter Salles estar no júri e não haver filmes na competicão. O júri é presidido por uma chinesa e tem filme chinês na competição. A ausência na competição é consequência da programação. Uns filmes participam sem concorrer. AE - O que você achou do filme de Wim Wenders, "The Million Dollar Hotel", também se decepciou ? Avelar - Decepcionar não seria bem a palavra, eu diria que não acrescentou nada à filmografia de Wim Wenders. Não contribui com qualquer inovação, embora guarde suas características - uma história narrada com busca de imagens sofisticadas e alguns diálogos marcantes. São falas que provocam uma permanência na memória. O filme de Wim Wenders está baseado naquela idéia de que , pouco antes de morrer, são revistos todos os instantes da vida. Mas o filme nada acrescenta na sua carreira. AE - Depois de Berlim com muro e sem muro, como você vê as novas instalações do Festival ? Avelar - Minha primeira impressão do palácio do festival é de uma arquitetura que não foi concebida especialmente para o cinema. Tem um grande auditório , mas como esses palácios que estão sendo construídos para sediar festivais de cinema, tem mais a preocupação de ser palácio do que funcionar como sala de cinema. Há muito vidro, muito espaço, muita transparência, tudo é meio monumental, mas sinto falta da arquitetura tradicional dos velhos cinemas. Sem saudosismo, as salas de cinema, concebidas como templos do cinema, tinham como centro da atração
o filme. No fundo a nova arquitetura de cinema se parece com a dos complexos de cinema multiplex. AE - E sobre a homenagem a Jeanne Moreau? Avelar - Uma justa homenagem, pois ela atravessou um longo período do cinema europeu e teve relaçõe com o cinema brasileiro
pois fez um filme com Carlos Diegues, "Joana Francesa" . Esse tipo de homenagem é extremamente oportuno. Uma das coisas que mais me agrada no festival é rever alguns filmes novos ao lado de outros co mais de 20, 30 anos para poder estabelecer uma relação entre o que se fazia e se faz hoje .

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