São Paulo, 27 (AE) - O diretor cultural do Museu do Louvre, Jean Galard, está em São Paulo a convite do Itaú Cultural para participar do ciclo de palestras paralelo à mostra "O Objeto, Anos 90". Em sua conferência, intitulada "Estetização da Vida: Abolição ou Generalização da Arte?", ele discutirá quinta-feira, às 20 horas, como os valores estéticos estão presentes nos momentos mais banais do dia-a-dia, servindo de motor - mesmo que inconsciente - para uma série de atitudes humanas. Suas idéias sobre a questão estão reunidas no livro "A Beleza do Gesto", editado pela Edusp no ano passado.
Trabalhando na fronteira entre várias disciplinas (como a psicologia, a sociologia ou a história do teatro e da arte), Galard atem-se a um tema clássico da filosofia: estudar a relação entre ética e estética. Mesmo afirmando não assumir nenhum partido, há em sua abordagem da estética do cotidiano - entenda-se estética como a beleza, não decorativa, que está presente no gesto de um amante, no teatro guerreiro de um povo, num objeto elevado à categoria de obra de arte - uma questão incômoda: até que ponto essa estetização geral é aceitável do ponto de vista moral?
"Isso pode conduzir ao desastre", diz Galard, concluindo que "quando estetizamos tudo, estetizamos até a guerra". Para ele, exemplos de espetáculo contemporâneos são os rituais de cerimônia como os enterros de Lady Di e Airton Senna, nos quais "a emoção é reforçada com artifícios" ou a excessiva exposição - e consequente esvaziamento - da violência.
Em sua atual visita, Galard - que viveu no Brasil entre 1968 e 1971, "um período difícil e doloroso", durante o qual lecionou filosofia na USP - deverá falar apenas sobre a reflexão estética que desenvolve à margem de seu trabalho no Louvre. Ele também pretende aproveitar sua estadia para reencontrar velhos e novos amigos e dar continuidade à conversa com participantes do curso de história da arte do Masp. Infelizmente, não foi agendada nenhuma palestra na qual ele pudesse falar sobre suas experiências à frente do setor educativo de um dos maiores museus do mundo.
O departamento que ele ajudou a criar desde 1987 é responsável pela interface entre o museu e o público, organizando as visitas guiadas, cursos, conferências, edição de catálogos e folders e o setor audiovisual (filmes e novas mídias
como Internet e CD-Rom), entre outras coisas. Para ter uma idéia da dimensão do trabalho, sua equipe presta serviços de monitoria a 10 mil grupos por ano e assessora outros 50 mil grupos, que vem com seus próprios guias. Esse trabalho atinge diretamente 6 mil pessoas por dia (um quarto dos visitantes do museu) e de maneira indireta qualquer pessoa que tenha contato com essa faceta pública do Louvre.

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