O raspar do slide nas cordas da guitarra de Hound Dog Taylor, num blues carregado de suingue, chamou a atenção de Bruce Iglauer, um funcionário da gravadora Delmark que partiu para vôo solo. Com pouco mais de US$ 2 mil, Iglauer abriu a Alligator Records exclusivamente para gravar seu bluesman predileto.
O disco saiu em dois dias e foi o ponto de partida de uma das maiores gravadoras alternativas americanas. A Alligator Records agora chega ao Brasil - distribuída pela Abril Music - com três coletâneas de peso, saídas do forno pela série ‘‘Deluxe Edition’’. A primeira delas é dedicada, justamente, a Hound Dog Taylor and the House Rockers.
O bluesman começou a se destacar em Chicago nos anos 40. Rodou pelos botecos da cidade por décadas, até conseguir gravar o primeiro álbum pela Alligator em 1971. Com um estilo slide guitar marcante e acentuado, Hound Dog Taylor chegou à fama, mas morreu logo em seguida, em 1975, tornando-se mais uma das lendas do blues. Na coletânea distribuída pela Abril, Hound Dog mostra um suingue bem visceral, acentuado por um timbre de guitarra característico. Era bluesman de primeiro time.
Suingue também é o que não falta a William Clarke, que encabeça outro título da coletânea. Misturando o blues agressivo de Chicago com uma levada embasada em sucessivos arranjos de metal, Clarke é tão bom na harmônica quanto nos vocais. No disco há espaço para jazz e rythm & blues, mas o destaque fica com sua gaita de vários timbres - às vezes o som muda dentro de uma mesma faixa.
O terceiro álbum da Alligator também traz uma boa surpresa. Katie Webster é uma espécie de Big Joe Turner de saias, pianista daquelas de não deixar ninguém parado. Sua carreira começou na Louisiana, no final dos anos 50, e traz um estilo carregado de sopros, bem dançante, que ficou conhecido como swamp blues. Apesar dos anos de estrada, seu primeiro disco só saiu em 1985.

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