Quando surgiu no cenário musical, em 2007, o sambista Diogo Nogueira sofreu com frequentes associações ao seu pai, o lendário cantor, compositor e violonista João Nogueira (1941 - 2000). Em seus novos CD e DVD ao vivo, o ex-jogador de futebol parece não se deixar intimidar por comparações aos bambas.
  O título do trabalho, ‘‘Sou Eu’’ – terceiro lançamento do cantor –, foi tirado de nada menos que uma composição inédita de Chico Buarque e Ivan Lins, com a qual o músico de 29 anos foi presenteado no ano passado, quando gravava o álbum ‘‘Tô Fazendo a Minha Parte’’. ‘‘O Chico me ligou dizendo que tinha uma música que ficaria bem na minha voz’’, relembra Nogueira, que conhece o veterano desde a infância, quando frequentava as rodas de samba junto com seu pai. ‘‘O disco já estava na prensagem, aí eu liguei e pedi para interromper, de modo que pudéssemos incluir a canção’’, relembra Nogueira.
  No novo DVD – registrado na casa de shows Vivo Rio, em 23 de julho deste ano – Chico Buarque, Ivan Lins e o bandolinista Hamilton de Holanda aparecem em uma versão ao vivo de ‘‘Sou Eu’’. Chico e Ivan Lins ainda acabaram fazendo duetos com Diogo em suas próprias composições ‘‘Homenagem ao Malandro’’ e ‘‘Lembra de Mim’’, respectivamente.
  A presença de gente boa no disco, seja como intérprete, compositor ou inspiração, não para por aí. O lançamento também traz Alcione, com quem Nogueira canta ‘‘Amor Imperfeito’’ e, novamente, Hamilton de Holanda, em ‘‘Lama nas Ruas’’ – belo samba composto por Zeca Pagodinho e Almir Guineto.
Lembrando a adolescência
  ‘‘Ao montar o repertório, procurei escolher as músicas que me rodeavam na adolescência’’, explica o cantor. Na seleção, que combina repertório novo e faixas do seu último álbum, ainda são lembrados Agepê (‘‘Deixa Eu Te Amar’’ e ‘‘Me Leva’’), Bezerra da Silva (‘‘Malandro É Malandro, Mané É Man钒, composta por Neguinho da Beija-Flor), seu pai (‘‘Além do Espelho’’, escrita junto com Paulo Cezar Pinheiro) e o que provavelmente é a escolha mais polêmica do disco: Alexandre Pires (‘‘Vestibular pra Solidão’’). O intérprete defende a inclusão do pagodeiro entre tantos medalhões da MPB: ‘‘É uma grande música, um samba muito bom. Não acho que tem que ter preconceito’’, rebate.
  Além do repertório, o DVD homenageia a malandragem pelo aspecto visual. Com mesa e cadeiras no palco, o cenário procura reproduzir o clima de boemia da Lapa carioca. A gafieira também é uma inspiração. O espetáculo conta com cinco dançarinas que desempenham coreografias de Carlinhos de Jesus.
  Para o cantor, tantas referências não tornam o trabalho saudosista. ‘‘Tudo que eu faço tem uma nova roupagem. Gosto de misturar ritmos e instrumentos, como riffs de guitarra e melodias de bandolim, por exemplo’’, justifica.

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