Diogo Nogueira lança 'Sou Eu'
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Carlos Messias<BR>Folhapress 
Quando surgiu no cenário musical, em 2007, o sambista Diogo Nogueira sofreu com frequentes associações ao seu pai, o lendário cantor, compositor e violonista João Nogueira (1941 - 2000). Em seus novos CD e DVD ao vivo, o ex-jogador de futebol parece não se deixar intimidar por comparações aos bambas.
O título do trabalho, Sou Eu terceiro lançamento do cantor , foi tirado de nada menos que uma composição inédita de Chico Buarque e Ivan Lins, com a qual o músico de 29 anos foi presenteado no ano passado, quando gravava o álbum Tô Fazendo a Minha Parte. O Chico me ligou dizendo que tinha uma música que ficaria bem na minha voz, relembra Nogueira, que conhece o veterano desde a infância, quando frequentava as rodas de samba junto com seu pai. O disco já estava na prensagem, aí eu liguei e pedi para interromper, de modo que pudéssemos incluir a canção, relembra Nogueira.
No novo DVD registrado na casa de shows Vivo Rio, em 23 de julho deste ano Chico Buarque, Ivan Lins e o bandolinista Hamilton de Holanda aparecem em uma versão ao vivo de Sou Eu. Chico e Ivan Lins ainda acabaram fazendo duetos com Diogo em suas próprias composições Homenagem ao Malandro e Lembra de Mim, respectivamente.
A presença de gente boa no disco, seja como intérprete, compositor ou inspiração, não para por aí. O lançamento também traz Alcione, com quem Nogueira canta Amor Imperfeito e, novamente, Hamilton de Holanda, em Lama nas Ruas belo samba composto por Zeca Pagodinho e Almir Guineto.
Lembrando a adolescência
Ao montar o repertório, procurei escolher as músicas que me rodeavam na adolescência, explica o cantor. Na seleção, que combina repertório novo e faixas do seu último álbum, ainda são lembrados Agepê (Deixa Eu Te Amar e Me Leva), Bezerra da Silva (Malandro É Malandro, Mané É Mané, composta por Neguinho da Beija-Flor), seu pai (Além do Espelho, escrita junto com Paulo Cezar Pinheiro) e o que provavelmente é a escolha mais polêmica do disco: Alexandre Pires (Vestibular pra Solidão). O intérprete defende a inclusão do pagodeiro entre tantos medalhões da MPB: É uma grande música, um samba muito bom. Não acho que tem que ter preconceito, rebate.
Além do repertório, o DVD homenageia a malandragem pelo aspecto visual. Com mesa e cadeiras no palco, o cenário procura reproduzir o clima de boemia da Lapa carioca. A gafieira também é uma inspiração. O espetáculo conta com cinco dançarinas que desempenham coreografias de Carlinhos de Jesus.
Para o cantor, tantas referências não tornam o trabalho saudosista. Tudo que eu faço tem uma nova roupagem. Gosto de misturar ritmos e instrumentos, como riffs de guitarra e melodias de bandolim, por exemplo, justifica.


