Dinossauros locais chegam aos 50 anos
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terça-feira, 25 de agosto de 1998
Simone Mattos 
Dinossauros da música, da poesia, das artes plásticas e da propaganda, que fazem a vida cultural curitibana há décadas, estão na marca do primeiro cinquentenário. Assim como o mundo comemorou os 40 anos de Madonna, Michael Jackson e do artista que se chamava Prince, e os 50 anos de Mick Jaeger, Curitiba também tem o que festejar.
Arquivo FolhaO jornalista Zeca Corrêa Leite surpreendeu-se ao fazer as contas e descobrir que já estava com 49 anosE festejou. Vários representantes desta geração estiveram reunidos no sábado passado, quando o músico e jornalista Carlão Gaertner comemorou com uma grande festa, a Blues, Rock and Barbecue, seu meio século de vida.
O melhor é manter o mesmo espírito daquele garoto que começou a tocar rockn roll aos 13 ou 14 anos, afirmou o aniversariante.
Seu primeiro grupo profissional foi montado em 1965, quando o baixista morava em Porto Alegre. Tocávamos os clássicos do rock da época: Beatles, Stones e composições próprias em inglês.
De volta à Curitiba, no final de 1968, Carlão conheceu Ivo Rodrigues, que mais tarde viria a ser o vocalista do Blindagem, e que na época apresentava o programa Juventude e Alegria, no Canal 12. Juntos, eles formaram o conjunto Som Fúnebre, que animava batizados, casamentos e funerais.
Arquivo FolhaA poeta Alice Ruiz está à toda com programa de TV, livros e parcerias até com músicos filhos de amigos músicosPassávamos o final de semana indo de clube em clube, de festa em festa, tocando três ou quatro músicas em lugares que nem conhecíamos, lembra Carlão. A brincadeira acabou resultando na formação de uma banda profissional, A Chave, que contava ainda com os músicos Orlando Azevedo (atualmente fotógrafo e curador da Bienal Internacional de Fotografia) e Paulo Teixeira (atual guitarrista do Blindagem).
Ivo Rodrigues, que fará 50 anos no próximo mês de fevereiro, se considera um sobrevivente. Ele começou a cantar e tocar aos quatro anos de idade e montou sua primeira banda, Os Paralelos, na adolescência. Acho maravilhoso ter hoje quase 50 anos e continuar tocando para os meninos de 18, afirmou.
Daqueles anos 60, uma das principais lembranças é a da vida comunitária na Casa Branca, uma grande construção localizada na Rua Padre Anchieta, onde cerca de dez artistas moravam e trabalhavam. Tínhamos um estúdio para ensaiar, um atelier de artes plásticas e uma espécie de laboratório de redação e comunicação, contou Carlão.
Além dos célebres habitantes do local, a casa era frequentada por várias personalidades, como os artistas plásticos Rogério Dias e Padrela e o escritor Paulo Leminski.
Nesta fase, inauguramos quase tudo em Curitiba, lembra o baixista. A Chave fez o primeiro show de rock na cidade em lugares como o Guairão, o Círculo Militar e o Passeio Público, além de ter sido a primeira banda a se apresentar em praça pública. Fomos os precursores do rock curitibano, afirma.
Após o sucesso de A Chave, que chegou a lançar um compacto gravado em São Paulo, Carlão Gaetner participou de outra banda, A Pedra, lançada em 81 e que durou cinco anos.
Antes as coisas eram mais dispersas, mais porra-louca, compara Carlão. A vivência fez com que a maturidade e a sensibilidade crescessem.
Hoje, Carlão é o baixista da banda Bartenders, que lançou recentemente seu primeiro CD, além de atuar como jornalista. Tenho certeza de que estou vivendo agora a melhor fase da minha vida, comemorou o aniversariante.Marcelo AlmeidaPaulo Teixeira e Orlando Azevedo, respectivamente guitarrista e baterista da primeira grande banda de rock de CuritibaGrupo de artistas curitibanos formado por músicos, escritores e artistas plásticos completam o primeiro cinquentenário com muito ânimo
É maravilhoso ter
50 anos e tocar para
meninos de 18


