Dines critica a falta de ética na TV
Renato Delmanto
Agência Estado
O jornalista Alberto Dines é uma espécie de Dom Quixote em defesa da ética na mídia brasileira. Desde que voltou de uma temporada em Portugal, em 1985, dedica-se a falar (e muito) sobre os excessos da tevê - e também dos outros meios de comunicação - e da falta de respeito ao público.
Perguntado sobre o Programa do Ratinho, por exemplo, ele afirma que o apresentador, em si, não é o mal maior da tevê brasileira. É claro que o programa é uma violência, uma agressão ao bom gosto, à compostura, à educação e à moral, diz. Mas o problema maior, acredita, é a própria televisão, que se nivela por baixo. Criou-se o mito da tevê paga, de que iria melhorar o nível, quando na realidade essa tevê a cabo não é feita aqui. Para ele, o ideal seria a tevê a cabo criar uma nova padronagem que viesse a influenciar a tevê aberta.
O padrão está despencando e, na tevê, essa degradação é muito veloz. Âncora do programa Observatório da Imprensa (terça, 22h30 na Cultura), Dines considera seu programa um dos únicos fóruns de debate da mídia e elogia os grupos de Marta Suplicy (TVer) e o do vereador Betinho Duarte, em Belo Horizonte (TV Bem), como iniciativas louváveis em defesa da ética. Faltam instituições com força para isso no Brasil. Segundo ele, o País está apto e ávido por um movimento de reação à baixaria.
Dines aponta um culpado: a elite econômica, que segundo ele não é a elite cultural. Falta à iniciativa privada - agências de propaganda e anunciantes - consciência de que têm de anunciar em programas melhores, não nos que apenas dão audiência. Ele acha que o empresariado não tem visão do papel social do capital. Eles não têm cabeça para perceber que o Brasil precisa evoluir. Alberto Dines defende a mobilização dos telespectadores-cidadãos como única arma contra a baixaria. Não vamos esperar que o governo faça tudo. A sociedade, acredita, tem de exigir para ela uma tevê de qualidade.
Quanto a Ratinho, embora considere um mal menor, uma consequência do atual panorama televisivo, Dines é taxativo nas críticas à sua atuação diante das câmeras. O Ratinho tem o arquétipo psicológico do fascista, é autoritário, carismático. É uma versão televisiva do Antonio Carlos Magalhães.





