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sábado, 21 de março de 2015
Luana Borges<br> TV Press 
A Record se especializou em produzir tramas bíblicas. Depois de exibir a primeira minissérie do gênero, "A História de Ester", em 2010, a emissora já levou ao ar outras quatro: "Sansão e Dalila", "José do Egito", "Rei Davi" e "Milagres de Jesus". Diante da boa receptividade que o público demonstra com a temática, o canal resolveu retratar uma história da Bíblia em formato de novela com "Os Dez Mandamentos".
O departamento de folhetins, aliás, vem alcançando um desempenho pífio desde "Máscaras", de 2012. Por isso, são grandes as expectativas em relação à nova aposta. Ainda mais porque a novela irá ao ar em novo horário, às 20h30, e não competirá mais diretamente com o folhetim das 21 horas da Globo. "A gente conseguiu reunir um grupo de profissionais no figurino, na arte e na cenografia que se especializou nesse tipo de trabalho. Então decidimos fazer uma novela bíblica de 150 capítulos. Não tenho dúvida de que será um sucesso", acredita Anderson Souza, diretor de teledramaturgia.
Sob assinatura de Vívian de Oliveira, que esteve à frente da maioria das produções bíblicas da Record, a história gira em torno de Moisés, interpretado por Pedro Pupak e Enzo Simi na primeira fase e por Guilherme Winter até o final.
Na trama, o protagonista é jogado no rio Nilo por sua mãe. Ela tomou tal atitude por querer proteger o filho da ira do faraó, que havia decretado que todo menino hebreu deveria morrer.
Moisés acaba sendo resgatado pela princesa Henutmire, filha do faraó, e cresce como um príncipe. Até deixar o Egito e viver como pastor de ovelhas. "É mais do que contar a história de Moisés, é muito maior, porque fala do início de uma nação, a de Israel", avalia a autora.
A primeira novela bíblica da Record apresenta números grandiosos. A começar, pelo custo por capítulo. Para cada dia de exibição de "Os Dez Mandamentos", a Record desembolsará R$ 700 mil. O elenco, com mais de 80 atores, é o maior que a emissora já escalou para uma produção sua. Assim como a cidade cenográfica, que ocupa uma área de 7 mil m². Nela, foram reproduzidos a vila dos hebreus e o Egito, além do harém, a frente do palácio, a arena de treinamento e a alameda, entre outros locais importantes da história.
A novela também conta com 28 cenários, cenas em externa e muitos efeitos especiais. Principalmente, para mostrar os grandes eventos que fazem parte da trajetória de Moisés. Inclusive, dois deles, a abertura do Mar Vermelho e a sétima praga, quando o Egito é tomado por uma chuva de fogo e de gelo, serão feitos em Hollywood. "Fomos atrás da Stargate, que é uma grande empresa de efeitos visuais nos Estados Unidos, responsável por vários sucessos de tevê e cinema. Isso vai colocar o projeto em outro patamar", defende o diretor Alexandre Avancini.
Parte das gravações aconteceu no Deserto do Atacama, no Chile. Durante 20 dias, alguns nomes do elenco e uma equipe de produção com quase 100 pessoas, entre brasileiros e chilenos, enfrentaram grandes variações de temperatura e o clima seco para captar as cenas. Mas, em compensação, Avancini promete belas paisagens nos capítulos. "A gente acordava às 3 da manhã todos dias e viajava por duas horas dentro do deserto mais agreste da Terra. A sorte é que era lindo. E o público vai ver isso", garante o diretor.
A ideia inicial da Record era exibir "Os Dez Mandamentos" em formato de minissérie. Mas, como novela, a produção precisou ser readaptada e ganhou quatro fases. Por isso, alguns personagens possuem mais de um intérprete, já que a narrativa será contada em vários anos.
O próprio Moisés é encarnado por duas crianças na primeira fase: Pedro Pupak e Enzo Simi. Em seguida, Guilherme Winter assume o posto de protagonista, o que ele enxerga como uma grande responsabilidade. "Foi uma semana para a ficha cair. Fiquei um pouco receoso, inseguro, mas a empolgação é muita", conta o ator.


