O relacionamento afetivo entre duas mulheres volta aos palcos do Festival de Teatro de Curitiba. ‘‘Dilemma’’, apresentada no Fringe, veio da Holanda, com a proposta de apresentar um espetáculo que se equilibra no teatro-verdade. A dupla Kris Niklison e Monica Alla mostra a vida como ela é, contando como aconteceu a real aproximação entre as duas e de que forma enfrentaram o mundo hetero.
O espetáculo apresentado em inglês exige um envolvimento maior do público. Pontuando números circenses, linguagem de videoclipe – com a técnica de stop motion – ‘‘Dilemma’’ conquista de imediato. A simplicidade aparente esconde uma série de desdobramentos do teatro. O tom confessional cria uma aproximação com o público. Afinal, todos querem ouvir segredos. Com as cenas em stop motion e os números nas cordas e trapézios, Mônica e Kris transpõem o pensamento verbal se valendo do teatro de imagens, instigando com mais propriedades os processos inconscientes. Com isso, o espetáculo chega mais rápido à memória afetiva do público. Quando as atrizes voltam a conversar com a platéia, as pessoas presentes se tornam protagonistas e participantes da história. Nesses momentos, Kris Niklison verbaliza de maneira inteligente e respeitosa a dor e a delícia da opção sexual.
‘‘Dilemma’’ também trafega pelo teatro documental, quando não separa vida/arte. O desdobramento desse espetáculo também dá vez ao teatro gestual, seja no sofá ou no trapézio. Como toda história de amor, a trilha sonora das apaixonadas é melodramática. Os momentos de intimidade procuram não cair na vulgaridade. Kris e Mônica trouxeram da Holanda não uma forma alternativa de se fazer teatro ou de se relacionar. Elas brindaram o público curitibano com um teatro neo-realista, sem deixar de lado imagens fellinianas.

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