O fim do amor salva das hipocrisias, mas não dos abismos existenciais em que se agarram os personagens de ''La Noche Canta Sus Canciones''. A montagem de um dos mais importantes diretores do novo teatro argentino estreia hoje, no 41º Festival Internacional de Londrina (Filo), com reapresentação amanhã. Na Usina Cultural, hoje e terça-feira, a atração é o monólogo ''Madre Coraje'', da atriz cubana Mérida Urquía.
É a quarta vez que o dramaturgo, diretor e ator Daniel Veronese participa do Filo. Ele representa a nova safra do teatro argentino em que bons textos sãos os degraus da escada por onde o público sobe até o universo criativo desses diretores.
Em ''La Noche Canta Sus Canciones'', Veronese faz da plateia um voyeur para bisbilhotar o que acontece em quase todas as famílias, quando o amor abre um abismo, revelando lá no fundo as hipocrisias em que sempre estiveram mergulhados os personagens.
Para conseguir isso, Veronese é audacioso ao montar pela primeira vez, na Argentina, uma peça do norueguês Jon Fosse, considerado um dos mais talentosos autores europeus contemporâneos e o mais representado da Noruega, depois de Henrik Ibsen.
Jon só escreve em norueguês, língua obrigatória nas escolas, o que torna ainda mais difícil traduzir para o espanhol a sensibilidade dos personagens.
Veronese conta com as atuações quentes do elenco concentrado no conflito de um casal com a chegada de um bebê.
Na outra estreia, a atriz cubana Mérida Urquía denuncia o vínculo nefasto entre o ser humano e a guerra, que é feita de pequenas tragédias humanas.
Sucesso em Cuba, o monólogo é inspirado em ''Mãe Coragem'', de Bertolt Brecht, com uma vestimenta contemporânea ao contar a história de uma mulher que atravessa a Alemanha, seguindo os exércitos suecos. Ela tenta sobreviver com os três filhos comercializando com os soldados.

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