Com o objetivo de melhorar a qualidade do inglês ensinado na rede pública, o projeto de extensão ''Playing with words'', realizado por alunos do curso de Letras da Unopar, está conseguindo introduzir com criatividade a partir da 4 série uma das disciplinas consideradas mais difíceis pelos alunos.
Em Londrina, desde o ano passado as escolas municipais já oferecem inglês na sua grade curricular a partir da 4 série, mas nas escolas estaduais que ainda atendem alunos da 4 série essa língua estrangeira começa a ser ensinada apenas na 5 série. É para esse público que o projeto é direcionado e seis estagiários estão atuando em duas escolas estaduais de Londrina, além de uma em Tamarana, Assaí e Nova Santa Bárbara. No ano passado, mais de 400 alunos de 7 escolas de Londrina e região foram atendidos.
O projeto está em andamento há quase cinco anos e nos útimos dois está sendo coordenado pela professora Eliane Provate Queiróz Martins, uma entusiasta do assunto. ''Para atrair a atenção do aluno é necessário aproveitar temas do seu interesse, que fazem parte do seu cotidiano. Não adianta virmos com o material didático já pronto. Acredito que o ideal é o professor estar capacitado a elaborar o material específico para o seu público''.
''O discurso é visto como prática social e os textos trabalhados precisam ter sentido para eles. A questão da globalização e cidadania também são importantes, partindo sempre do conceito de conhecer a própria cultura para aprender a respeitar a do outro'', acrescenta.
Com esse enfoque, os alunos de Letras estão trabalhando com gêneros textuais, principalmente os contos de fadas. Exibição de vídeos em inglês de histórias como ''Os Três Porquinhos'', ''Cinderela'' e ''Branca de Neve'' fazem parte do repertório didático, além de músicas, dramatizações e jogos pedagógicos elaborados pelos estagiários. No ano passado, alunos do Colégio Estadual Vicente Rijo confeccionaram seus próprios livros sobre os contos de fadas. De forma mais lúdica e prazerosa, o inglês vai ficando mais acessível.
A aluna Stephanie Luana Urata, 10 anos, agora na 5 série, já percebe as vantagens de ter participado do projeto no ano passado, quando ainda estava na 4 série: ''Eu não sabia nada de inglês quando comecei, mas agora praticamente todo o conteúdo que estou vendo na 5 série eu já conheço. No projeto, as aulas eram mais descontraídas e gostei muito''.
Aprender o inglês é um desafio também para os próprios estagiários. O futuro professor Kleverson Fernando de Araújo, no 4º ano de Letras e há dois anos no projeto, conta que isso acabou incentivando-o a aprofundar seu conhecimento sobre a língua inglesa. ''Eu não tinha muita habilidade nem fluência e esse trabalho me fez estudar mais e, consequentemente, aprender mais'', comenta.
Na turma de 4 série, no Colégio Estadual Vicente Rijo, a empolgação dos alunos era evidente enquanto participavam de um jogo de memória com vocabulário em inglês. Divididos em grupos, com as mesas disponibilizadas de forma diferente da habitual, eles tinham até torcidas organizadas. Numa atividade divertida, acabam aprendendo brincando.
No Colégio Estadual Professora Margarida de Barros Lisboa, o projeto é realizado desde o ano passado e a iniciativa deu resultados tão positivos que a direção da escola solicitou que as aulas fossem ofertadas neste ano também aos alunos de 2 e 3 séries, o que irá acontecer em breve. ''O trabalho deles fez muita diferença, conforme o retorno que tivemos dos nossos professores que agora estão lecionando, na 5 série, para os alunos que passaram pelo projeto'', pontua a coordenadora Marlene de Almeida.
A aluna Stephanie Salgado, 10 anos, foi uma das beneficiadas pelo projeto no ano passado. ''Foi muito legal e antes eu achava o inglês mais difícil, mesmo os meus pais já tendo me ensinado o alfabeto e alguns verbos. Aprendi muitas coisas novas e gostaria de ter mais aulas de inglês'', diz.
A participação dos estagiários no projeto também traz benefícios na hora de cumprirem o estágio curricular. É o caso das irmãs Lidiane Cristina da Costa e Gislaine Ribeiro da Costa, ambas no 3º ano de Letras. ''Participo do projeto desde o ano passado e ele tem acrescentado muito na minha experiência. Antes ficava nervosa, mas agora estou bem mais segura na sala de aula'', afirma Gislaine. Sua irmã Lidiane, que começou a participar do projeto recentemente, ainda está na ''fase de nervosismo'', mas está otimista: ''Estou me preparando para o estágio curricular e sei que o projeto vai me ajudar. Estamos sempre procurando novidades que deixem as aulas mais dinâmicas''.

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