Dicionário traduz o futebolês
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sexta-feira, 12 de junho de 1998
Cleide Cavalcante Agência Estado 
O que os brasileiros esperam na Copa do Mundo é que os nossos atletas sejam acadêmicos, nunca abram o bico durante os jogos e entregar a mercadoria em casa nem pensar. Eles têm de saber amaciar a redonda com categoria, ser verdadeiras feras em campo, metendo a chapa na gorduchinha com vontade. E, ambição maior dos torcedores, fazer com que ela caia no véu da noiva pelo menos uma dezena de vezes durante cada embate, mas sem qualquer pelintrocada. Não entendeu? A Copa do Mundo está aí e para acompanhar de perto cada lance, Haroldo Maranhão resolveu dar uma forcinha para os mais leigos. Em Dicionário de Futebol, da Editora Record, ele traduziu o vocabulário corriqueiro dos campos de futebol de A a Z.
Mas não foi só isso, ele também teve o cuidado de resgatar antigas expressões de décadas passadas usadas em todo o País, e foi pesquisar termos utilizados em Portugal e em Angola (África). O trabalho de pesquisa demorou um ano, com uma média de 14 horas de dedicação diária. Não sou especialista em futebol, minha grande preocupação é com a palavra, explica. Autor de romances e contos premiados como A Estranha Xícara, Maranhão foi amigo de Aurélio Buarque de Holanda, que o convidou para uma parceria na preparação do Dicionário Aurélio, na parte de regionalismo do Pará. Não pude fazê-lo porque estava me dedicando a outros projetos. Ele costumava elogiar minha capacidade de definir as palavras com precisão. Mesmo assim, o Aurélio traz algumas palavras cujas abonações são de livros meus, lembra.
Maranhão destaca que resolveu escrever o dicionário a partir do momento em que constatou não haver nenhuma literatura do gênero no Brasil. Decidi fazer um trabalho sério, com categorias gramaticais, abonações, blibliografia... Meu próposito foi o de também informar pessoas que, como eu, não são aficionadas pelo esporte. O resultado é uma obra completa, que traduz desde os bordões da mídia, até siglas de entidades, federações e termos técnicos. O livro resgata um pouco da memória do futebol, aliás cito vários verbetes com a inscrição obsoleto ou pouco usado, comenta. Encontrei muitas destas expressões num pequeno vocabulário publicado no início do século pela Associação dos Cronistas Esportivos de São Paulo. O Dicionário de Futebol é dedicado a Garrincha. O Garrincha é um verdeiro herói nacional, um homem do povo, iluminado..., define.
O escritor nasceu em Belém do Pará em 1927. Aos 14 anos, começou a trabalhar como repórter policial. Em 1961, mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a colaborar com o Diário de Notícias. Publicou sete livros de contos, seis romances, uma novela, um diário e quatro livros infanto-juvenis. Em 1979, recebeu o Prêmio Mobral de Contos; em 1980, o Prêmio Guimarães Rosa; em 1981, o da UBE/SP e o do INL; em 1982, o José Lins do Rego; e em 1983, o Vértice de Literatura, em Portugal. Ele tem uma home page na Internet: http://users.plinet.com/haroldo/
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